Kim Kataguiri diz que Flávio Dino faz trabalho “razoável” na fiscalização de emendas
O deputado paulista, em entrevista, justificou a intervenção do ministro do STF pela falta de fiscalização da própria Câmara

Kim Kataguiri afirmou que Flávio Dino faz um trabalho “razoável” na fiscalização das emendas parlamentares.
Ele justificou a atuação do ministro porque, diz, a Câmara passou a executar parte do Orçamento e, assim, não tem independência para fiscalizar essas emendas.
Kataguiri é deputado federal e candidato ao terceiro mandato por São Paulo; declarou isso em entrevista ao Jornal Novabrasil SP e lembrou que foi contrário à indicação de Dino ao STF e teve embates com ele.
Para explicar a necessidade da fiscalização externa, afirmou que a Câmara virou “sócia” do Orçamento ao executar recursos, o que conflita com a função de fiscalizar sua aplicação.
O deputado disse que integrou e deixou a Comissão de Fiscalização e Controle nos últimos dois anos, alegando que a maioria governista barrava requerimentos ao TCU; afirmou que continua fiscalizando suas próprias emendas e encaminha problemas aos órgãos competentes.
Questionado por Heródoto Barbeiro sobre negociações em Brasília, afirmou que “a Esplanada dos Ministérios inteira é um balcão” e que muitos deputados vendem votos para liberar emendas e inaugurar obras em seus redutos.
Embora defenda o fim das emendas, Kataguiri declarou que usa apenas as emendas impositivas a que tem direito; afirmou nunca ter recebido emenda do orçamento secreto nem por votar com a base do governo, e citou como destinos o Hospital das Clínicas da USP, o Hospital das Clínicas da Unicamp e o Hospital de Barretos.
O programa do Partido Missão, disse ele, propõe vincular o volume das emendas à redução de despesas permanentes; criticou o modelo atual por criar incentivo à alta de impostos ou à inflação.
“Meu voto é ideológico”, declarou, afirmando ter votação em todas as cidades de São Paulo e defender que o papel do deputado é legislar e fiscalizar, não executar ou inaugurar obras.