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MPF denuncia organização por fraudes em importações no Aeroporto de Fortaleza

Foram apresentadas duas ações penais nesta quarta (12) na Justiça Federal no âmbito da Operação Snooker.

Redação POLITICA.NEWS13 de ago. de 2026 · 09h486 acessos📲 Enviar no WhatsApp
MPF denuncia organização por fraudes em importações no Aeroporto de Fortaleza
Reprodução: www.mpf.mp.br

MPF ofereceu, nesta quarta (12), duas ações penais contra organização criminosa por fraudes em importações no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza.

O processo resultou no bloqueio de mais de R$ 26 milhões e na apreensão de veículos importados e de uma embarcação de luxo.

A investigação aponta atuação do grupo entre 2020 e 2025, dividido em quatro núcleos — público, empresarial, financeiro e auxiliar — com hierarquia e repartição de tarefas.

No núcleo público, um auditor-fiscal da Receita Federal lotado na inspetoria do aeroporto é apontado como comandante; o MPF estima que ele recebeu pelo menos R$ 6,8 milhões em vantagens indevidas.

No núcleo empresarial, duas fraudes descritas: uma importadora cearense teriam declarado joias de prata como bijuterias, pagando pelo menos R$ 1,2 milhão em propina; outra importadora, administrada por casal chinês, subfaturava eletrônicos, com propina estimada em R$ 2,5 milhões.

O núcleo financeiro inclui um contador que criou empresas de fachada; dois sócios teriam repassado ao auditor pelo menos R$ 3,1 milhões, e o grupo movimentou mais de R$ 103,3 milhões por empresas sem atividade real.

O núcleo auxiliar reúne familiares do auditor — cônjuge, filhas, irmãos e um cunhado — que teriam recebido pagamentos e bens com recursos ilícitos; nenhum desses investigados aceitou proposta de acordo de não persecução penal.

Os denunciados tentaram obstruir a investigação usando cadastros com dados de terceiros, números internacionais, codinomes e troca periódica de aparelhos celulares, condutas apontadas como obstrução.

Um empresário colaborador firmou acordo de colaboração premiada, depositou valores relativos à rescisão de compra de imóvel de luxo e se comprometeu a pagar multa de R$ 150 mil; outro celebrou acordo de não persecução penal e pagará R$ 40 mil.

A apuração identificou indícios transnacionais: dois investigados de nacionalidade estrangeira, documentos para abertura de empresas e contas nos Estados Unidos e titularidade de empresa nas Ilhas Virgens Britânicas.

As duas ações penais tratam dos participantes com atuação mais relevante até agora; o MPF informou que outros empresários, despachantes e laranjas serão denunciados separadamente à medida que a investigação avançar.

Ação Penal nº 0800929-60.2026.4.05.8100 e Ação Penal nº 0800930-45.2026.4.05.8100.

R$ 6,8 milhões — estimativa do que o auditor-fiscal recebeu

R$ 1,2 milhão — propina em esquema com joias de prata

R$ 2,5 milhões — propina em esquema com eletrônicos

R$ 3,1 milhões — repasses de dois sócios ao auditor

R$ 103,3 milhões — valores movimentados por empresas sem atividade

R$ 26 milhões — bloqueados em contas

R$ 1,6 milhão — devolvido por compra de apartamento na Beira-Mar de Fortaleza

R$ 150 mil — multa do acordo de colaboração premiada

R$ 40 mil — obrigação em acordo de não persecução penal