Justiça condena apresentador por racismo contra povos indígenas do Baixo Tapajós
Crime ocorreu em 23 de junho de 2022 durante programa “Conexão Catraia”; pena criminal e medidas civis foram aplicadas.

O apresentador Raymmond Klebbert de Sousa foi condenado por racismo por ofender povos indígenas do Baixo Tapajós.
A pena criminal fixada foi de 2 anos e 8 meses de prisão, em regime inicial aberto, mais multa, com possibilidade de substituição por penas alternativas.
O crime ocorreu em 23 de junho de 2022, durante transmissão ao vivo do programa “Conexão Catraia” no Facebook, quando o apresentador atacou indígenas de Aveiro, Belterra e Santarém.
No vídeo, Raymmond usou expressões como “índios fake”, “tribos inventadas” e “etnias faz de conta” para negar a identidade desses povos.
Como penas alternativas, o réu cumprirá prestação de serviços à comunidade — uma hora de trabalho por cada dia de condenação — e pagará dez salários mínimos a uma instituição de proteção aos direitos indígenas.
A Justiça tornou definitiva a ordem para remoção do vídeo ofensivo da internet.
Na esfera cível, em setembro de 2025, a Justiça condenou o apresentador e a empresa dona da TV Catraia ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais coletivos, a serem divididos entre o Fundo de Defesa de Direitos Difusos e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas.
A sentença cível também obrigou a produção de um vídeo de retratação de pelo menos 2 minutos e 15 segundos, aprovado pelo MPF e fixado na página da emissora por três meses, e a divulgação semanal de conteúdo que valorize a história e cultura dos povos indígenas do Baixo Tapajós, por três meses.
Tanto o MPF quanto a empresa da TV Catraia recorreram ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1); as apelações aguardam julgamento, e ainda cabem recursos contra a sentença criminal.