Instituto Veritá tem pesquisas barradas em 14 unidades da federação
Tribunais eleitorais proibiram divulgações por amostras distorcidas, indícios de fraude e falta de transparência; há multas e novos registros.

O Instituto Veritá teve pesquisas proibidas de divulgação em 13 estados e no Distrito Federal em 2026.
O bloqueio já gerou multa de mais de R$ 58 mil no Rio Grande do Norte por reincidência e levou tribunais a evitar divulgação de resultados para governo e Senado em decisões recentes, como as de 12 de junho.
Na quarta (12), os TREs do Rio Grande do Norte e de Sergipe proibiram pesquisas do Veritá para governo e Senado por amostras que super‑representaram eleitores ricos e com ensino superior; em Sergipe a amostra mostrou 31,1% com ensino superior (PNAD 2025: 19,2%; cadastro do TSE: 12,82%) e no RN a pesquisa apontou 34% com ensino superior (TSE: 13,73%) e 25% na faixa de maior renda.
O Veritá registra uso do método probabilístico PPT com ponderação 1 (sem ajuste pós‑coleta), mas tribunais apontaram concentração desigual de entrevistas: no Espírito Santo 42,13% das entrevistas ficaram em Vitória, que tem 8,89% do eleitorado, e municípios como Serra e Vila Velha receberam zero entrevistas.
Decisões em Piauí, Amazonas, Pernambuco, Paraíba e Tocantins citaram falta de transparência sobre seleção e sorteio de contatos telefônicos, ausência de detalhamento sobre controle de duplicidade e omissão do modo de coleta (presencial, telefônica, eletrônica ou híbrida); no Tocantins a data prevista de divulgação foi marcada em 3 de abril antes do fim das entrevistas (coleta entre 29 de março e 4 de abril).
No Amazonas, análise forense identificou cerca de 380 pares consecutivos de linhas idênticas em 28 campos na planilha pública: 62% da amostra declarada (1.220 entrevistas) foi formada por registros duplicados em série, padrão considerado estatisticamente implausível; a planilha também trazia a coluna “telefone” vazia, contradizendo relatório que dizia ter auditado 20% das entrevistas.
Há ainda registro de uso de perguntas que induzem respostas e inclusão de candidaturas inexistentes; no Distrito Federal o questionário detalhava a Operação Dracon antes de questionar se a governadora Celina Leão "pode estar envolvida nas denúncias da Operação Dracom".
O Veritá afirmou que "cada juiz e cada tribunal está tendo um entendimento" e que "no final agente (sic) mostra e acerta".
Um levantamento do agregador PollsterGraph coloca o Veritá em 72º entre institutos no desempenho nas eleições passadas.
13 estados + Distrito Federal — número de unidades da federação que proibiram divulgações
31,1% — proporção com ensino superior na amostra do Veritá em Sergipe
19,2% — índice PNAD 2025 citado pelo instituto como fonte de comparação em Sergipe
12,82% — proporção do eleitorado sergipano com ensino superior segundo o TSE
34% — proporção com ensino superior na amostra do RN pelo Veritá
13,73% — média real do cadastro do TSE no RN para ensino superior
62% (762 registros) — parcela da amostra no Amazonas composta por registros duplicados em série (amostra total 1.220)
O TRE de Sergipe proibiu a pesquisa registrada em 7 de junho e, apesar disso, o instituto registrou novo levantamento com os mesmos critérios em 12 de junho para divulgação prevista na semana seguinte.