Centrão declara neutralidade; apoio a Lula não garante governabilidade, diz cientista político
Mateus de Albuquerque afirma que reaproximação com Hugo Motta e Davi Alcolumbre não resolve fragilidade de apoio no Congresso

O apoio de líderes do Centrão não garante governabilidade a Lula, afirma o cientista político Mateus de Albuquerque.
A menos de dois meses do primeiro turno, partidos do Centrão vêm declarando neutralidade no primeiro turno e houve reaproximação entre Lula e Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Mateus de Albuquerque, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), disse ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que "é um erro" recompor a relação com Alcolumbre e que apoios dessas lideranças não equivalem a apoio parlamentar consistente.
Ele afirmou que denúncias de envolvimento em escândalos de corrupção ligados a líderes como Alcolumbre tendem a manchar a imagem pública do governo, lembrando que Lula já enfrentou operações como Lava-Jato e Mensalão.
O cientista prevê renovação de dois terços no Congresso e avalia que o campo progressista tem vantagem recente; ele citou que a estratégia bolsonarista de "colonizar o Senado" não decorreu como esperado porque "Flávio está mal".
Albuquerque disse que a pauta de enfrentamento da desigualdade sofre reveses por causa da sobrerrepresentação da riqueza na política, e que ricos e burgueses no parlamento protegem seus próprios interesses.
Como exemplo de resultado de pressão social, ele citou a PEC que acabou com a escala 6×1, aprovada pela Câmara, e afirmou que o governo não passou essa pauta apenas por vontade própria.
Ele concluiu que o governo precisa investir no relacionamento com movimentos populares, porque "é muito difícil que esse tipo de discussão avance sem pressão externa".
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O próximo passo sugerido por Albuquerque é fortalecer diálogo com movimentos populares para pressionar pautas sociais no Congresso.