Smart Sampa já ajudou a prender 3.424 foragidos; vigilância erra alvos
Câmeras inteligentes são celebradas por eficiência, mas produzem falsos positivos e aumentam debate sobre privacidade e viés racial

O "prisômetro" do Smart Sampa registra 3.424 foragidos capturados por videomonitoramento com câmeras inteligentes na capital paulista.
O número convive com erros: um policial militar fardado no Centro e um jardineiro voluntário de uma UBS foram identificados erroneamente como foragidos.
No painel do São Paulo Beyond Business (SP2B), a jornalista Cecília Olliveira, diretora e fundadora do Instituto Fogo Cruzado, discutiu o “solucionismo tecnológico” com Pedro Saliba, coordenador de Assimetrias e Poder no Data Privacy Brasil, e Ricardo Balestreri, coordenador do Núcleo de Segurança Pública, Urbanismo Social e Territórios do Insper.
O debate questionou se reconhecimento facial e IA são políticas efetivas ou ferramentas para gerar métricas favoráveis em ano eleitoral; 2026 tem segurança pública como maior preocupação do eleitorado.
O Atlas da Violência de 2026 mostra queda nos homicídios, mas aumento da sensação de insegurança; buscas por “crime” no Google Trends praticamente dobraram nos últimos quatro anos.
Entre 2018 e 2024, roubos reportados caíram pela metade, enquanto estelionatos, sobretudo virtuais, aumentaram cinco vezes.
Pedro Saliba citou estudo do NIST que constatou maiores taxas de erro na identificação de pessoas negras, indígenas e asiáticas, elevando o risco de falsos positivos.
A mobilização Tire Meu Rosto da Sua Mira afirma que “a capacidade de identificar individualmente e rastrear pessoas mina direitos como os de privacidade e proteção de dados, de liberdade de expressão e de reunião, de igualdade e de não-discriminação.”
3.424 — prisões registradas pelo Smart Sampa até a publicação
2018–2024 — período em que roubos caíram pela metade e estelionatos quintuplicaram
83,2% — parcela da população acima de 16 anos que teme golpes pela internet/celular, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública
82,3% — medo de roubo à mão armada; 80,7% — medo de ser morto durante assalto; 78,8% — medo de ter o celular furtado ou roubado
Nenhum próximo passo formal foi anunciado no painel.