Lula recupera discurso antissistema no programa de 2026 registrado no TSE
O programa afirma que “Somos o verdadeiro novo” e o presidente disse também: “Nós nos tornamos o sistema”.

Lula reapresenta a pele de antissistema no programa de sua candidatura registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
O documento diz logo nas primeiras páginas: “Somos o verdadeiro novo porque enfrentamos o velho sistema que mantém o Brasil no atraso, na desigualdade e na dependência”.
No comício de lançamento em Vila Euclides, São Bernardo, Lula tentou resgatar a imagem de sindicalista fundador do PT, lembrando a pré-história em que foi contra Tancredo, o Plano Real e governos adversários.
O texto registra também a autocrítica do presidente, feita em abril: “Nós nos tornamos o sistema.”
Edinho Silva, presidente do PT, reivindica para o lulismo o papel de verdadeiro antissistema, conforme consta das declarações citadas no programa.
A matéria republicana do lulismo é narrada com alianças históricas: Sarney no Maranhão, Renan em Alagoas, Barbalho no Pará, e cooptou caciques como Otto Alencar na Bahia; Michel Temer foi peça-chave nas alianças dos dois primeiros mandatos.
No plano econômico, os governos Lula firmaram relações estreitas com grandes empresas e empreiteiras por meio da política de “campeões nacionais”, e os bancos tiveram lucros elevados nos mandatos lulistas.
Escândalos e práticas apontadas na história incluem o mensalão e o petrolão, e o presidencialismo de coalizão ou de cooptação como base da governabilidade.
O texto aponta que o programa registrou recuos da ala esquerda: bandeiras foram retiradas para não assustar o mercado, e não há proposta econômica ou social que confronte os grandes grupos econômicos.
A transformação do PT em partido da ordem institucional abriu espaço para o bolsonarismo, que se define também como força antissistema contra o “establishment”.
A estratégia atual de Lula busca retomar laços com presidentes das duas Casas e composições eleitorais amplas: Alcolumbre e figuras como Hugo Motta e Ciro Nogueira aparecem na barca eleitoral, e Ciro Nogueira foi articulado para que a Federação União Progressista permanecesse neutra.