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Sigma reduz água e altera rotina no Vale do Jequitinhonha, MG

Comunidades rurais relatam abastecimento mensal por caminhão, poeira de estéril e acesso bloqueado a casas desde 2023

Redação POLITICA.RS13 de ago. de 2026 · 21h042 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Sigma reduz água e altera rotina no Vale do Jequitinhonha, MG
Reprodução: www.brasildefato.com.br

Moradores de Ponte do Piauí, Santa Luzia, Piauí Poço Dantas e Taquaral Seco, em Araçuaí e Itinga (Médio Jequitinhonha, MG), convivem com pilhas de estéril de lítio e caixas d’água da mineradora Sigma Lithium desde que a produção comercial começou em 2023.

O abastecimento é mensal por caminhão-pipa via programa “Água para Todos” e usa água potável da Copanor doada por prefeituras, sem variação por tamanho da família.

José Uelton de Jesus (Chico), de Piauí Poço Dantas, vive com seis familiares; a caixa de 1.000 litros equivale a cerca de 4,76 litros diários por pessoa para consumo e cozinha.

A ONU define 20 litros diários por pessoa como acesso razoável à água potável; famílias de duas pessoas na região recebem cerca de 16 litros por dia.

Moradoras Ana Claudia de Souza e Jéssica Almeida relatam que, quando crianças, tomavam banho no Rio Piauí; hoje filhos não têm mais essa prática por falta de água e suposta poluição por esgoto, segundo a mineradora.

Cisternas do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) existem nas casas, mas poeira das detonações e das pilhas da Sigma gera insegurança sobre contaminação da água armazenada.

Em novembro de 2025, Ana Cabral, CEO da Sigma Lithium, disse na COP30 que a empresa “treinou aquela geração perdida do Vale, que eram mulas de água”, frase que gerou revolta entre moradores.

Maria Rita da Conceição Santos (Dona Fia), de Taquaral Seco, diz ter recebido água potável antes da ação da mineradora e que, quando a reserva acabava, a Prefeitura de Itinga abastecia caixas e cisternas.

A agricultura familiar e a pesca foram afetadas: moradores relatam queda na qualidade de hortas, insegurança alimentar e redução de peixes no Rio Piauí; Altair de Souza (Santa Luzia) e Ana Paula de Jesus descrevem o rio sem água.

Problemas de saúde e infraestrutura citados incluem doenças respiratórias e de pele, rachaduras em casas por detonações e barulhos constantes.

Quatro casas em Ponte do Piauí ficaram “ilhadas” entre estruturas do empreendimento e o Rio Piauí; residentes sofreram controle de acesso por funcionários da Sigma e vigilância, segundo relatos.

Em junho deste ano, o juiz Emílio Guimarães Moura Neto, da 1ª Vara Cível de Araçuaí, determinou que a Sigma liberasse o acesso das famílias às próprias casas, proibindo o controle de passagem.

Moradora Paloma Pessoa Souza afirma que, apesar da decisão, há sensação de vigilância com drones e revistas de visitantes que afetaram sua privacidade.

O Ministério Público de Minas Gerais publicou edital para contratação de Assessoria Técnica Independente (ATI) para as comunidades; pediu que a empresa custeie a ATI escolhida pelas comunidades sem interferência do empreendedor.

Ana Claudia diz que moradores gastam tempo e dinheiro para participar de debates e eventos sobre os impactos da mineração, deixando de lado suas vidas e rotinas.