Prefeitura demoliu coreto da Praça Piratini com base em abaixo‑assinado de 33 pessoas
A demolição ocorreu em 10 de junho; prefeitura cita parecer técnico, mas não enviou o laudo pedido por LAI

A Prefeitura demoliu em 10 de junho o coreto da Praça Piratini, em frente ao Colégio Estadual Júlio de Castilhos, alegando risco à segurança.
A justificativa formal apresentada à Matinal foi um abaixo‑assinado com 33 assinaturas; o laudo técnico citado pela gestão não foi enviado à solicitação via Lei de Acesso à Informação.
A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSurb), chefiada por Rafael Fleck (MDB), informou ter baseado a remoção em um parecer técnico datado de 8 de junho e disse que moradores pediram a retirada durante o programa Mais Comunidade em 23 de maio.
A estrutura havia sido erguida em 1987 como contrapartida pela instalação do Centro Comercial João Pessoa; a prefeitura afirmou que o coreto não possui tombamento nem integra patrimônio cultural protegido.
Pelo menos nove pessoas em situação de rua foram retiradas do local na manhã da demolição; a base de pedra e toda a estrutura foram totalmente removidas, sem previsão de substituição.
A diretora do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, Paola Ribeiro, afirmou: "Não recebemos nada em relação ao coreto. Chegamos no dia para trabalhar na escola e já estava em processo de demolição."
A Matinal solicitou o laudo técnico e o registro do pedido dos moradores em 15 de junho; a prefeitura tinha até 15 de julho para responder, respondeu em 27 de julho — 12 dias após o prazo — e não anexou o documento técnico.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul pediu nova paralisação de obra próxima ao Parque da Guarita, em Torres.
Caminhadas narrativas na Semana do Patrimônio recontam histórias de Porto Alegre, e há colunas e resenhas sobre cultura e esportes nesta edição.