Moradoras da Lomba do Pinheiro fazem ato em 17/07 após feminicídio de Priscila
O protesto cobra Deam local, reforço da Patrulha Maria da Penha e homenagens às vítimas

Moradoras da Lomba do Pinheiro realizam, na segunda-feira (17), um ato contra a violência após o feminicídio de Priscila Rosa da Silva.
A mobilização cobra a criação de uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para a região e reforço da Patrulha Maria da Penha.
Priscila Rosa da Silva, 41 anos, foi morta a tiros no domingo (9); a Polícia Civil aponta o ex-marido Eduardo Lopes dos Santos, 43 anos, como autor, que tirou a própria vida em seguida; o caso é apontado como o 47º feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026.
O ato, organizado pelo Fórum de Segurança e Justiça da Lomba do Pinheiro, começa às 7h na Estrada João de Oliveira Remião, nº 3922, Parada 9, e incluirá homenagem às vítimas e cobrança por atendimento especializado.
A assistente social e conselheira do Fórum, Maristela Maffei, diz que a reivindicação por estruturas de proteção é antiga; lembra a luta pela Casa da Mulher Brasileira desde 2012 e afirma que a delegacia mais próxima fica a 20 km do bairro, que tem cerca de 100 mil moradores.
O Rio Grande do Sul tem 23 Deams entre 497 municípios; menos de 5% (22) das cidades gaúchas contam com unidade especializada; a Deam de Porto Alegre é a única do estado com funcionamento 24 horas.
Entre as demandas do Fórum estão reforço da Patrulha Maria da Penha — hoje com dois soldados e um servidor administrativo para Glória, Lomba do Pinheiro e Partenon — trabalho direcionado às escolas, construção da delegacia e criação de um espaço de acolhimento para mulheres.
O Caderno Temático do Ministério da Justiça indica parâmetros de efetivo por população:
até 100 mil — 2 delegadas/os, 21 oficiais investigadores, 2 atendentes administrativos, 1 serviços gerais
até 200 mil — 3 delegadas/os, 42 oficiais investigadores, 4 atendentes administrativos, 2 serviços gerais
até 300 mil — 4 delegadas/os, 63 oficiais investigadores, 6 atendentes administrativos, 3 serviços gerais
até 500 mil — 5 delegadas/os, 84 oficiais investigadores, 8 atendentes administrativos, 4 serviços gerais
mais de 1 milhão — 5 delegadas/os, 105 oficiais investigadores, 10 atendentes administrativos, 5 serviços gerais
O mesmo documento exige escala de plantão para atendimento noturno, finais de semana e feriados, em conformidade com a Lei nº 14.541/2023.
Maffei lembra outros feminicídios na região: uma mulher esquartejada em 2023 atribuída a um homem conhecido como “Bruxo”; Débora Moraes, morta em 12 de setembro de 2022 pelo ex-companheiro Felipe Faustino; Faustino foi sentenciado, em agosto do ano passado, a 29 anos em regime inicial fechado; e Mayla, vítima em 2024 cujo marido usou um espeto e hoje estaria em liberdade.
Dados do Observatório Estadual da Segurança Pública entre janeiro e julho registram 46 feminicídios, 139 tentativas de feminicídio, 17.794 registros de ameaça, 1.164 estupros e 9.638 ocorrências de lesão corporal; o Observatório de Feminicídios Lupa Feminista aponta 55 feminicídios até 31 de julho.
O governo federal já depositou R$ 19 milhões para a obra da Casa da Mulher Brasileira em Porto Alegre, com outros R$ 5 milhões previstos para os dois primeiros anos de funcionamento; a previsão é construir a Casa atrás do Centro Vida, na zona norte.
A deputada estadual Luciana Genro (Psol) propôs uma audiência pública para discutir a implantação de uma Deam na Restinga e no Extremo Sul; a reunião será na quinta-feira (20), às 19h, no IFRS Campus Restinga, rua Alberto Hoffmann, 285, e deve reunir moradores, lideranças comunitárias e entidades locais.
A audiência do dia 20 é o próximo passo para discutir a descentralização do atendimento especializado na Capital.