Mais faixas exclusivas apertam o trânsito na Capital
Medida privilegia os ônibus, mas aumenta a preocupação com novos congestionamentos

Novas faixas exclusivas para ônibus estão sendo pintadas no bairro Cristal, em Porto Alegre. A medida reduz novamente o espaço destinado aos carros em uma região que já enfrenta trânsito intenso, lentidão e congestionamentos frequentes.
Priorizar quem utiliza o transporte coletivo é correto. O problema aparece quando essa prioridade é implantada sem considerar todo o sistema de mobilidade. Porto Alegre acumula ciclovias que nem sempre são utilizadas por parte dos ciclistas, quebra-molas em excesso e sinaleiras que obrigam o motorista a enfrentar uma sequência interminável de arranca e para.
Agora, novas faixas exclusivas deixam os automóveis ainda mais apertados. Ao mesmo tempo, ônibus circulam com menos passageiros diante da concorrência de aplicativos como Uber, que mudaram a forma de deslocamento de milhares de pessoas.
Mobilidade urbana não pode significar simplesmente retirar espaço dos carros. É necessário analisar horários, demanda de passageiros e impacto no trânsito antes de pintar novas faixas. Privilegiar o transporte coletivo é importante, mas prejudicar todos os outros deslocamentos não resolve o problema. Apenas transfere a dificuldade e torna os engarrafamentos ainda mais comuns.