Eleições 2026 devem recolocar planejamento urbano no centro: 87,4% vive em áreas urbanas
Programas de governo terão de explicar como vão integrar redução de riscos, adaptação climática e fortalecer capacidades técnicas e institucionais.

Eleições de 2026 devem recolocar o planejamento urbano no centro do debate: 87,4% da população vive em áreas urbanas.
Programas de governo precisam explicar como fortalecerão capacidades técnica e institucional e integrarão redução de riscos e adaptação climática.
O Observatório das Metrópoles reúne pesquisadores sobre cidades em todas as regiões do Brasil e publica colunas sobre mobilidade, moradia, segurança e urbanismo para a Região Metropolitana de São Paulo.
Mudanças climáticas e eventos extremos — enchentes, movimentos de massa e ondas de calor — mostram que o modelo atual de urbanização não responde às necessidades contemporâneas, alerta o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
A construção social do risco decorre de pobreza, desigualdade, urbanização acelerada e ausência de políticas de redução de riscos, segundo relatório da UNDRR de 2017.
Quando parte da população é direcionada a encostas instáveis, planícies de inundação ou áreas sem infraestrutura, o risco urbano expressa as desigualdades que organizam o espaço.
A integração entre planejamento territorial, habitação, mobilidade, saneamento, adaptação climática e gestão de riscos está prevista na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.
O Estatuto da Cidade estabelece o direito a cidades sustentáveis; a Lei nº 12.608/2012 e a Lei nº 14.750/2023 reforçam a integração da redução de riscos ao ordenamento territorial e à defesa civil.
Pesquisadores como Flávio Villaça (Espaço intra-urbano no Brasil), Ermínia Maricato (O impasse da política urbana no Brasil) e Raquel Rolnik (Guerra dos lugares) mostram que a urbanização distribuiu benefícios e custos de forma desigual e transformou terra e moradia em ativos financeiros.
Geotecnologias e informações geográficas permitem identificar áreas suscetíveis a desastres, localizar populações expostas e priorizar intervenções, mas os dados dependem de decisões políticas e participação social.
87,4% — parcela da população brasileira que vive em áreas urbanas.
As eleições de 2026 devem transformar a redução de riscos e a adaptação climática em compromissos de Estado, com candidatos e partidos detalhando medidas em seus programas de governo.