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Moradores do Guarujá protestam contra ‘minidique gambiarra’ e pedem explicações sobre proteção contra cheias

Ato na praça Zeno Simon reúne residentes, vereadores e críticas às intervenções provisórias feitas após a enchente de 2024

Redação POLITICA.RS16 de ago. de 2026 · 15h013 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Moradores do Guarujá protestam contra ‘minidique gambiarra’ e pedem explicações sobre proteção contra cheias
Reprodução: www.brasildefato.com.br

Moradores do Guarujá protestaram neste sábado (15) na praça Zeno Simon contra um “minidique gambiarra” e cobraram explicações sobre proteção contra novas cheias.

A reunião extraordinária da Comissão de Urbanização, Transportes, Habitação e Regularização Fundiária (Cuthab), marcada para início de agosto no CTG Roda de Chimarrão, foi cancelada a pedido da prefeitura.

No entorno da saída do arroio Guarujá e em parte da praça foi erguido um cordão de terra e pedras com cerca de 30 cm, chegando a 50 cm em trechos, ladeado por bags de areia; máquinas deixaram terra e marcas na praça recém-reformada.

Moradores temem que a elevação de terra seja insuficiente e que uma nova cheia espalhe barro por praça, ruas e casas; parte da intervenção bloqueou o refluxo em ruas baixas como Jacipuia e, com uma bomba móvel, devolveu água acumulada ao Guaíba.

Ricardo Santana Pereira, morador e organizador do ato, disse que a mobilização nasceu da falta de comunicação da prefeitura: “A gente não sabe o que foi feito aqui. Essa obra emergencial, a gente precisa ter dados, e a gente não tem esses dados, a gente não tem informação.”

Aos 88 anos, Vera Mari Pinto, cuja casa foi atingida em 2024, afirmou que a família “perdeu tudo” na enchente e cobrou a presença do prefeito Sebastião Melo; ela disse que votou no prefeito e se sente abandonada.

O vereador Jonas Reis (PT), vice-presidente da Cuthab e proponente da reunião, afirmou que a prefeitura pediu o cancelamento por outro compromisso, negou remarcar e criticou os paliativos; ele estimou em R$ 20 milhões o custo de uma casa de bombas e um dique na orla.

A covereadora Tássia Amorim (mandato Giovani Culau e Coletivo/PCdoB) afirmou que os reparos são paliativos, sem caráter estrutural, e pediu um cronograma com prazos.

Em 16 de junho o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) apresentou três alternativas para obra definitiva: muro, elevação da avenida Guaíba ou elevação da praça Zeno Simon, além de um plano emergencial com barreiras móveis, bloqueio de canais e bombeamento.

O material mostrou o sistema Flexmac DT, e o Dmae informou ser possível montar cerca de 1,5 km de barreiras de 2 metros em até 48 horas; o departamento disse que as barreiras móveis estarão disponíveis somente no final de agosto e que técnicas provisórias foram adotadas em julho.

Sobre chuva intensa em 27 de julho, moradores relatam que sacos usados no bloqueio do arroio precisaram ser abertos para retomar o escoamento após as bombas não darem conta; o Dmae afirmou que Porto Alegre registrou média de 18 mm a cada dez minutos naquele dia e que o sistema provisório teve desempenho “satisfatório” até o momento, sem confirmar se os sacos foram abertos.

30–50 cm — altura do cordão de terra em trechos

1,5 km — extensão possível de barreiras móveis com 2 m de altura

2 m — altura das barreiras móveis previstas

48 horas — prazo informado para montagem das barreiras

R$ 20 milhões — estimativa de Jonas Reis para casa de bombas e dique

18 mm a cada dez minutos — chuva registrada em 27 de julho, segundo o Dmae

“Essa obra emergencial, a gente precisa ter dados, e a gente não tem esses dados, a gente não tem informação”, disse Ricardo Santana Pereira durante a manifestação.

A comunidade segue acompanhando níveis do Guaíba e previsões meteorológicas em grupos de mensagens; o próximo ponto é a disponibilidade das barreiras móveis no final de agosto e a tentativa de reagendamento da reunião da Cuthab para obter respostas.