TCE-PE aponta falhas no Hospital Agamenon Magalhães, apesar de obras anunciadas
Governo anunciou requalificação da UTI e cozinha nesta quarta (12); auditoria identificou salas inativas, falta de equipamentos e filas cirúrgicas longas

O Tribunal de Contas de Pernambuco identificou inúmeras deficiências no Hospital Agamenon Magalhães, apesar de reformas anunciadas pelo governo.
As falhas afetam a capacidade cirúrgica: 2.714 pacientes aguardam cirurgias eletivas, com espera de até 29 meses, e o hospital cancelou 715 cirurgias em 2024 (20,58%).
O governo de Pernambuco anunciou nesta quarta-feira (12) a requalificação da UTI Geral e da cozinha do HAM, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife, informou a secretaria de Saúde.
A UTI Geral foi modernizada e agora tem 18 leitos, incluindo dois de isolamento; a secretária Zilda Cavalcanti disse que as obras oferecem ambiente mais seguro para pacientes e equipes.
A diretora Ângela Lannia afirmou que a reestruturação trouxe melhores instalações físicas e que a cozinha passou por transformação para garantir segurança e eficiência.
A auditoria do TCE-PE detectou salas cirúrgicas do bloco principal inativas e um novo bloco de pequenas cirurgias, inaugurado em setembro de 2023, ainda fechado; também há falta de equipamentos cirúrgicos.
O relatório apontou déficit de profissionais: faltam enfermeiros, técnicos, perfusionistas e instrumentadores, e erros de agendamento geram altos índices de cancelamento evitável.
No período analisado (exercícios 2022 a 2024), foram canceladas 715 cirurgias em 2024, e as principais causas foram preparo inadequado do paciente (24,92%), erros de agendamento (23,40%) e ausência não justificada da equipe cirúrgica (20,63%).
A capacidade calculada das seis salas operacionais é 364 cirurgias por mês (4.368/ano) e a meta pactuada no POA/SES-PE foi 362 por mês (4.344/ano); em 2024 o HAM programou 3.473 cirurgias, 79,5% da capacidade.
O relatório destacou dois turnos semanais vagos — sextas-feiras à tarde — que deixaram de realizar ao menos 96 cirurgias por ano, e atraso médio de 30 minutos nas primeiras cirurgias do dia.
O TCE-PE recomendou reativar as duas salas inativas do bloco principal, utilizar as duas salas do prédio novo e fornecer os equipamentos cirúrgicos necessários.