Pressão para tirar Ivan Moraes da disputa pode não transferir votos a João Campos
Retirada do candidato da Federação PSOL-Rede pode gerar branco, nulo, migração a Raquel Lyra ou ressentimento contra o PSB

A pressão para remover Ivan Moraes da disputa pelo governo, via Federação PSOL-Rede, pode não transferir automaticamente seus votos a João Campos (PSB).
A retirada pode gerar apenas alguns décimos a poucos pontos para João — e produzir ressentimento ou voto de protesto em 45 dias de campanha.
Ivan Moraes representa eleitores que escolheram conscientemente uma opção à esquerda diferente de João Campos, que é candidato ao governo há dois anos, e de Raquel Lyra (PSD).
Parte do eleitorado de Ivan pode migrar para João, parte pode votar em branco ou nulo, e outra parte pode optar por Raquel Lyra como protesto, sem abandonar a orientação de esquerda.
Manobras para impedir a candidatura podem prejudicar a imagem do PSB e de João Campos, ao mostrar um candidato maior atuando para tirar um menor da urna.
A pressão também pode transformar Ivan em vítima política: um candidato de 1% ou 2% pode ganhar dimensão política ao alegar ter sido alvo de articulação nacional.
O efeito líquido depende do tamanho da operação; retirar Ivan pode custar mais em imagem do que trazer alguns pontos extras para João Campos.