Pressão externa — tarifas, vídeo dos EUA e crise diplomática incidem na campanha que começa em 16
Impactos incluem disputa por eleitorado, revogação de visto da embaixadora e tensão entre Brasil e Argentina.

A campanha eleitoral começa neste domingo (16) em meio a tarifas americanas sobre produtos brasileiros, vídeo do Departamento de Estado e crise diplomática sul-americana.
A pressão externa deve entrar no guia eleitoral e afetar debates a menos de dois meses do primeiro turno.
O Debate da Supermanhã, na Rádio Jornal em 12 de junho, reuniu Álvaro de Oliveira Azevedo Neto (doutor em Direito, professor do Centro Universitário Tiradentes), Maria Gabriela Mazarella (doutora em Ciência Política, professora de Relações Internacionais) e Thales Castro (cônsul honorário de Malta, professor da Universidade do Norte da Flórida).
Maria Gabriela Mazarella destacou um vídeo do Departamento de Estado que afirma que o domínio dos EUA na América Latina não será mais questionado e citou a prisão de Nicolás Maduro; a divulgação reativou a imagem da região como “quintal” dos EUA.
Um deputado americano publicou montagem com o rosto de Lula sobre a imagem de Maduro preso; os debatedores avaliaram que a peça pode ser ameaça ou tentativa de intimidação às eleições brasileiras.
Javier Milei veio ao Brasil, chamou Lula de ladrão e criticou o ministro Alexandre de Moraes; o ministro Dario Durigan rebatou chamando Milei de “palhaço” e os embaixadores de Brasil e Argentina foram convocados de volta às capitais.
A embaixadora Maria Ribeiro Viotti teve o visto revogado pelos EUA e permanece no cargo após atraso do Itamaraty em conceder o agrément ao indicado americano, o deputado Daniel Pérez; a Convenção de Viena não fixa prazo para resposta.
O rito clássico prevê declaração de persona non grata com 48 a 72 horas para deixar o país, mas essas medidas não foram aplicadas no caso de Viotti.
Thales Castro questionou a sequência de atos: “Está uma coisa tão exótica, um maracatu mal ensaiado, que verdadeiramente a gente está sem entender o contexto.”
Os Estados Unidos justificaram sobretaxas com base na Seção 301 da lei de comércio; o Pix e a perda de espaço das bandeiras de cartão americanas também foram citados como razões técnicas.
O Banco Central estuda ampliar a integração do Pix com vizinhos do Mercosul; exportadores brasileiros já buscam outros compradores diante da ausência do mercado americano.
Álvaro de Oliveira Azevedo Neto resumiu a reação: “Não quer brincar comigo, arruma outra pessoa para brincar.”
A expectativa é que a liberação do agrément ao embaixador americano dificilmente saia nas próximas semanas, o que tende a prolongar a tensão durante a campanha.