Porto de Galinhas: turistas em massa e comunidades com violência e serviços falhos
A poucos quilômetros da praia, Salinas convive com grupo criminoso, falta de saúde, saneamento e educação para crianças.

Porto de Galinhas recebe milhares de turistas por mês, mesmo na estação chuvosa, enquanto comunidades vizinhas sofrem pobreza e acesso desigual a serviços públicos para crianças.
A poucos quilômetros do cartão-postal, Salinas tem atuação de grupo criminoso que impõe medo e a "lei do silêncio", dificultando o ingresso de políticas públicas.
Heloysa Gabrielle, 6 anos, foi atingida por um tiro enquanto brincava em 30 de março de 2022; duas viaturas do Bope, com sete policiais, perseguiam um suspeito em moto naquele dia.
O suspeito bateu em um veículo estacionado, disparos foram feitos e ele fugiu; investigação do Ministério Público de Pernambuco indicou que um agente do Bope foi o autor do disparo que matou Heloysa.
Mais de quatro anos depois, o caso ainda não teve julgamento; a morte provocou protestos, fechamento de comércios e a saída de centenas de turistas da praia.
O promotor Higor Araújo, que atua em processos contra o crime organizado em Ipojuca, afirma que Salinas tem dificuldade de ingresso das forças policiais pela estrutura do território e pela importância estratégica para facções.
Araújo diz que são necessárias políticas públicas de educação, saúde, saneamento e equipamentos culturais, além de investimento especializado em inteligência para combater organizações criminosas, e alerta que intervenções devem evitar riscos a crianças e adolescentes.
A cientista social Ana Maria Franca, coordenadora do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco, afirma que crianças não devem crescer com medo ou testemunhar homicídios e questiona o projeto de futuro gerado por esse trauma.
Na Região Metropolitana do Recife, 54 adolescentes (12 a 17 anos) e duas crianças (0 a 11 anos) foram baleados no primeiro semestre de 2026.