Plano CNT estima R$ 500 bilhões para transporte coletivo; RMR entra na lista
Levantamento mapeia 328 projetos e 2.694 km de sistemas prioritários; apresentação ocorreu em 12/8, em São Paulo.

O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 mapeou R$ 500 bilhões para ampliar sistemas de transporte público coletivo urbano no País.
A carteira inclui 328 projetos e 2.694 quilômetros de sistemas de priorização ao transporte coletivo urbano, com detalhamento por cidade numa plataforma pública.
A apresentação foi feita por Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT, no Seminário NTU 2026 em São Paulo, nesta quarta-feira (12/8).
Do total de R$ 500 bilhões, R$ 97,6 bilhões correspondem a 280 intervenções em transporte rodoviário urbano, R$ 410 bilhões a sistemas metroferroviários e R$ 2,8 bilhões a terminais de integração e projetos hidroviários urbanos.
A carteira prevê expansão de mais de 1.500 km de BRTs em 34 cidades, 758 km de corredores exclusivos em 24 cidades e 758 km de faixas exclusivas em seis cidades — somando 2.694 km.
A CNT publicou os 328 projetos em uma plataforma pública com filtros por unidade da federação, região e município, ferramenta destinada a ajudar prefeituras a estruturar pleitos e atrair investimentos.
"Essa carteira não é sinônimo de obra contratada nem de recurso garantido. Trata-se de uma referência técnica para orientar decisões", afirmou Fernanda Rezende durante a apresentação.
A Região Metropolitana do Recife aparece no radar de investimentos para corredores estruturantes, ao lado de Fortaleza, Salvador, João Pessoa, Natal e Aracaju.
O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), do BNDES em parceria com o Ministério das Cidades, aponta que a RMR pode ampliar de 68 km para até 150 km sua rede de média e alta capacidade, com investimento estimado entre R$ 8,96 bilhões e R$ 18,17 bilhões.
O ENMU calcula que esse aporte atenderia 1,42 milhão de passageiros por dia, reduziria em 22% o tempo médio de deslocamento e evitaria cerca de 605 vítimas de sinistros de trânsito por ano.
Entre seis projetos estruturantes mapeados para a RMR está a modernização do Metrô do Recife, já em vias de concessão à iniciativa privada.
A CNT ressaltou que transformar o levantamento em entregas exigirá planejamento integrado, assistência técnica aos municípios, segurança jurídica e coordenação entre setor público e iniciativa privada.
O plano foi apresentado também a candidatos à Presidência da República durante o seminário, como parte do debate sobre mobilidade urbana.