Ônibus perde quase 40% dos passageiros em 10 anos, diz Anuário NTU
Demanda estabilizou em patamar menor; migração para motos e carros acelera em 2025.

Transporte coletivo por ônibus perdeu cerca de 40% dos passageiros pagantes na última década, aponta o Anuário NTU 2025-2026.
Em 2025 o total de viagens caiu 3,7% ante 2024 e ficou em 77,5% do volume de 2019, reduzindo receitas e ampliando subsídios municipais.
O Anuário mostra que a participação de passageiros equivalentes pagantes caiu de 72% em 2021 para 55,4% em 2025, enquanto um ônibus transporta em média 700 pessoas por dia e um carro leva 1,5 passageiro por viagem.
O índice de passageiros equivalentes por quilômetro (IPKe) recuou de acima de 2,0 na década de 1990 para cerca de 1,48 hoje, o menor em quase três décadas.
A comparação de outubro de 2016 com outubro de 2025 indica perda de aproximadamente 28% no volume mensal nos principais sistemas municipais monitorados pela NTU.
Em 2025 as motocicletas superaram os carros de passeio nas licenças de veículos novos; foram 2,2 milhões de motos vendidas, alta de 17,1% ante 2024.
O Anuário atribui a mudança ao crescimento dos serviços pagos por motos e apps de entrega, à ausência de regulamentação das plataformas digitais e à falta de políticas que restrinjam modos individuais motorizados nas grandes cidades.
"Essa combinação de menos gente andando de ônibus e menos gente pagando por isso compromete diretamente o equilíbrio financeiro dos contratos", alertou Francisco Christovam, diretor-presidente da NTU.
40% — perda aproximada de passageiros pagantes na última década
3,7% — queda nas viagens em 2025 versus 2024
77,5% — volume de viagens de 2025 em relação a 2019
55,4% — participação de passageiros pagantes em 2025
1,48 — IPKe atual, menor em quase 30 anos
2,2 milhões — motos licenciadas em 2025, alta de 17,1%
O Anuário NTU 2025-2026 foi apresentado na 39ª edição do Seminário Nacional NTU, realizada entre 11 e 13 de agosto em São Paulo.