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MPF processa Faculdade de Ciências Médicas por venda de corpos do Hospital Colônia

A ação pede reparações financeiras, pedido público de desculpas, memorial e mudanças nacionais sobre uso de cadáveres

Redação POLITICA.NEWS18 de ago. de 2026 · 12h323 acessos📲 Enviar no WhatsApp
MPF processa Faculdade de Ciências Médicas por venda de corpos do Hospital Colônia
Reprodução: www.mpf.mp.br

O MPF ajuizou ação contra a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), a Fhemig, o estado de Minas Gerais e a União pela venda de corpos do Hospital Colônia de Barbacena.

A ação pede R$ 13,7 milhões em danos morais coletivos, R$ 1,1 milhão da Feluma para pesquisas, e medidas de Justiça de Transição.

Entre 1971 e 1975 a Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais recebeu pelo menos 105 corpos de internos compulsoriamente internados para dissecção e ensino médico.

Documentos históricos mostram que cada corpo foi comercializado por 50 cruzeiros novos, valor descrito como destinado à conservação e transporte.

A petição foi assinada pelos procuradores Angelo Giardini de Oliveira e Edmundo Antonio Dias Netto Junior e requer pedido formal de desculpas, digitalização de arquivos e criação de memorial em Belo Horizonte.

O Hospital Colônia é descrito como epicentro do chamado "Holocausto Brasileiro", com estimativa de 60 mil mortes em condições desumanas.

Universidades já reconheceram práticas semelhantes: a UFMG emitiu pedido público de desculpas em abril de 2026; a UFJF assinou compromissos em maio de 2026, após admitir recebimento de 169 corpos.

R$ 13,7 milhões — pedido por danos morais coletivos

R$ 1,1 milhão — pedido à Feluma para financiar pesquisas independentes

105 — corpos vendidos para a faculdade entre 1971 e 1975

50 cruzeiros novos — preço por corpo segundo documentos

60.000 — mortes estimadas no Hospital Colônia

169 — corpos admitidos pela UFJF

15 anos — prazo pedido para proibir cortes na RAPS como garantia de não repetição

"esta engrenagem de coisificação e exploração post mortem privou as vítimas... do sepultamento digno", escreveram os procuradores na petição.

A ação civil pública tramita sob o número 6082062-27.2026.4.06.3800, iniciando o rito judicial necessário por ausência de acordo com a faculdade.