Governo do Brasil aciona a OMC e tensão EUA afeta acesso a IA e infraestrutura
Medidas entram em vigor em julho; empresas precisam mapear fornecedores, revisar contratos e criar redundâncias

O Brasil abriu em 27 de julho consultas na OMC contra duas medidas dos EUA que elevaram tarifas sobre produtos brasileiros em 37,5%.
A tarifa extra de 25% entrou em vigor em 22 de julho após investigação pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974; outra medida adicionou 12,5% às tarifas.
Em 12 de junho a Anthropic suspendeu o acesso de estrangeiros aos modelos Fable 5 e Mythos 5 por ordem do governo dos EUA baseada em segurança nacional; o acesso global foi restabelecido em 1º de julho.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA avaliou práticas brasileiras sobre pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, etanol e desmatamento na investigação que resultou nas tarifas.
O Itamaraty classificou as medidas como unilaterais e incompatíveis com regras multilaterais; o pedido de consultas à OMC é a primeira etapa formal do contencioso.
O economista Flávio Basílio, diretor executivo da EloPar e ex-secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, disse que a lógica de compras corporativas mudou: "Não vale mais o just in time. Vale agora o just in case."
O Tribunal de Contas da União recomendou em junho que o Serpro revisasse cláusulas de um contrato com a Amazon Web Services por risco de acesso estrangeiro a dados públicos sob jurisdição norte-americana; a discussão envolve o CLOUD Act.
O Brasil atrai investimentos em infraestrutura de IA: em junho a Elea Data Centers anunciou aporte de US$ 550 milhões no projeto Rio AI City, que depende de equipamentos importados e de regras de exportação estrangeiras.
27 de julho — Brasil abriu consultas na OMC
22 de julho — tarifa adicional de 25% entrou em vigor
12 de junho — Anthropic suspendeu acesso a Fable 5 e Mythos 5
1º de julho — acesso global aos modelos foi restabelecido
No curto prazo, empresas devem mapear fornecedores críticos, revisar cláusulas sobre jurisdição e acesso a dados, criar redundâncias e definir alternativas para serviços essenciais.