Campanha de Lula avalia ato para evangélicos, possível evento no Rio
A ideia divide aliados; pesquisa Quaest mostra Flávio à frente entre evangélicos, 48% a 33% para Lula.

A campanha de Lula (PT) avalia promover um ato voltado a evangélicos nas próximas semanas, provavelmente no Rio de Janeiro.
A iniciativa mira reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre evangélicos: pesquisa Quaest de agosto indica 48% para Flávio e 33% para Lula; o Censo de 2022 mostra que 27% da população é evangélica.
Aliados do presidente estão divididos: um grupo defende atos específicos para o segmento; outro considera esses eventos artificiais e prefere abordagem mais sutil.
Gutierres Barbosa, da Igreja Batista Nazareth de Salvador e coordenador do Setorial Inter-religioso do PT, diz que é preciso trabalho direcionado “até para combater a desinformação” e propõe eventos em espaços fora das igrejas, com convites a líderes religiosos.
Há receio no entorno de Lula porque o presidente costuma dizer que rejeita misturar política e religião; aliados que criticam o ato defendem ações gerais do governo para todos os segmentos.
Alguns assessores sugerem suavizar o tom de Lula, citando como exemplos problemáticos a repetição da frase sobre “tesão de 20 anos” e o episódio em que mostrou o dedo do meio no Palácio do Planalto.
Outras estratégias defendidas incluem adaptar discursos com mais referências à família e destacar políticas sociais concretas, como isenção do Imposto de Renda até R$5.000 e programas de regularização de dívidas, apontadas por Aava Santiago (PSB) como relevantes para o público evangélico.
Eliziane Gama (PT-MA), da Assembleia de Deus, afirma que encontros com denominações, como a Assembleia de Deus, são “fundamentais” e ampliam a mensagem ao segmento; Benedita da Silva (PT-RJ) pede tratamento igual entre diferentes grupos evangélicos.
48% — intenção de voto de Flávio Bolsonaro entre evangélicos (Pesquisa Quaest, início de agosto)
33% — intenção de voto de Lula entre evangélicos (Pesquisa Quaest, início de agosto)
27% — parcela da população que é evangélica (Censo 2022)
R$ 5.000 — teto citado para isenção do Imposto de Renda por Aava Santiago
“A gente entendeu que é preciso ter um trabalho direcionado [aos evangélicos], até para combater a desinformação”, disse Gutierres Barbosa.
A campanha deve decidir nas próximas semanas se fará o ato e onde exatamente no Rio de Janeiro será realizado.