Argentina busca PF para investigar empréstimo de R$450 mi ligado ao estádio de Mar del Plata
Procuradoria argentina mira conexão entre o empréstimo do Master, a Revee e o escândalo 'Sur Finanzas' na concessão do José María Minella

O Ministério Público argentino analisa propor cooperação com a Polícia Federal brasileira para investigar a ligação do empréstimo de R$ 450 milhões do Master à Revee e irregularidades na concessão do estádio de Mar del Plata.
A investigação foca o Parque Municipal de los Deportes Teodoro Bronzini, cujo Estádio José María Minella sediou três jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1978.
A concessionária é Minella Stadium SA, criada em dezembro de 2024 pela brasileira Revee, que ficou com 87,5% das ações; os 12,5% restantes pertencem à Sociedad Expansiva S.A., controlada pela Pro Merchandising S.A. e Pro Entertainment S.A.
A cédula de crédito bancário (CCB) do Master, traduzida ao espanhol, foi apresentada pela Revee no processo de concessão como prova de capacidade financeira; a empresa também anexou declaração juramentada de que US$ 26 milhões (R$ 148 milhões à época) estavam reservados para obras na Argentina.
A Minella prometeu aporte de US$ 40 milhões do fundo Iduna e da própria Revee; a Revee dizia que dois projetos em São Paulo — uma arena no Anhembi e obras no Estádio do Canindé — custariam R$ 1 bilhão, mas os projetos foram abandonados.
A concessão foi assinada em 24 de julho; a Revee fez apenas intervenções mínimas e, um ano após a Carbono Oculto e 13 meses após a assinatura, o estádio tem ficado sem luz por falta de pagamento da conta de energia elétrica.
As dívidas com fornecedores e trabalhadores já se aproximam de R$ 5 milhões; a Revee disse que repassou sua participação a outra empresa há cerca de dois meses e que cumpriu todas as obrigações enquanto foi concessionária.
Em agosto estourou a Operação Carbono Oculto, com João Carlos Mansur, presidente do conselho da Revee, entre os alvos; em dezembro estourou o caso Sur Finanzas, com mandados de busca na AFA e em clubes, cujo principal alvo é Eduardo Spinosa, ex-presidente do Banfield.
Spinosa foi presidente da Minella até o mês passado; outros dirigentes ligados à Minella são Javier Schmidt e Diego Ávila, ex-executivos da Torneos, e Jorge Di Prinzio, que se apresentou como 'CEO' da Minella.
Parte do José María Minella está interditada desde 2021 por risco de desabamento da cobertura; o pacote de concessão incluía também o ginásio Islas Malvinas, construído para os Jogos Pan-Americanos de 1995.
R$ 450 milhões — empréstimo do Master à Revee
US$ 26 milhões (R$ 148 milhões à época) — valor que a Revee declarou reservado para obras na Argentina
US$ 40 milhões — carta compromisso do Iduna e da Revee para o projeto
R$ 1 bilhão — custo estimado dos dois projetos em São Paulo que foram abandonados
R$ 5 milhões — dívidas próximas com fornecedores e trabalhadores
"Repassamos nossa participação há cerca de dois meses e cumprimos todas as obrigações", declarou a Revee em nota.
O próximo passo é a decisão do Ministério Público argentino sobre propor formalmente cooperação com a Polícia Federal brasileira para aprofundar as investigações.