Votar só em mulheres não resolve sub-representação e pode virar 'voto cego'
Especialistas dizem que gênero é necessário, mas é preciso avaliar compromisso com direitos das mulheres e interseccionalidade.

Votar apenas em mulheres não garante defesa dos direitos das mulheres no Congresso, alertam especialistas.
A sub-representação tem números concretos: mulheres são 51,5% da população, mas ocupam cerca de 18% das cadeiras no Congresso Nacional.
Mulheres negras (pretas e pardas) somam mais de 60 milhões de pessoas, mas representam cerca de 8% das cadeiras no Congresso Nacional.
O país tem atualmente quatro mulheres indígenas como deputadas federais e nenhuma mulher indígena como senadora.
Há lei de cotas para o Congresso desde 1997 e exigência recente de mínimo de 30% de mulheres nas listas, frequentemente descumpridas pelos partidos.
A advogada Maíra Recchia afirma que eleger mulheres sem alinhamento com a pauta de gênero “não é o suficiente para enfrentar a violência e a desigualdade de gênero”.
A cientista política Flávia Biroli diz que eleger mulheres (representação descritiva) não basta, porque mulheres têm interesses diversos conforme sua posição social.
A jurista Thayna Yaredy recomenda avaliar candidatas por interseccionalidade: raça, origem indígena, identidade de gênero e práticas políticas que comprovem compromisso.
51,5% — participação das mulheres na população total.
18% — percentual aproximado de cadeiras ocupadas por mulheres no Congresso Nacional.
8% — participação aproximada de mulheres negras no Congresso Nacional.
4 — número de mulheres indígenas deputadas federais; 0 — mulheres indígenas senatoras.
Critérios a observar nas candidatas: compromisso com direitos das mulheres; combate à violência de gênero; igualdade salarial; políticas de enfrentamento às desigualdades; propostas para economia do cuidado, primeira infância, saúde, proteção a grupos vulneráveis, alimentação e medidas sobre os impactos das apostas.
Avalie trajetórias e projetos políticos: busque propostas concretas e práticas contínuas de inclusão equitativa de mulheres em espaços de poder.