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Votar só em mulheres não resolve sub-representação e pode virar 'voto cego'

Especialistas dizem que gênero é necessário, mas é preciso avaliar compromisso com direitos das mulheres e interseccionalidade.

Redação POLITICA.SP17 de ago. de 2026 · 13h345 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Votar só em mulheres não resolve sub-representação e pode virar 'voto cego'
Reprodução: revistamarieclaire.globo.com

Votar apenas em mulheres não garante defesa dos direitos das mulheres no Congresso, alertam especialistas.

A sub-representação tem números concretos: mulheres são 51,5% da população, mas ocupam cerca de 18% das cadeiras no Congresso Nacional.

Mulheres negras (pretas e pardas) somam mais de 60 milhões de pessoas, mas representam cerca de 8% das cadeiras no Congresso Nacional.

O país tem atualmente quatro mulheres indígenas como deputadas federais e nenhuma mulher indígena como senadora.

Há lei de cotas para o Congresso desde 1997 e exigência recente de mínimo de 30% de mulheres nas listas, frequentemente descumpridas pelos partidos.

A advogada Maíra Recchia afirma que eleger mulheres sem alinhamento com a pauta de gênero “não é o suficiente para enfrentar a violência e a desigualdade de gênero”.

A cientista política Flávia Biroli diz que eleger mulheres (representação descritiva) não basta, porque mulheres têm interesses diversos conforme sua posição social.

A jurista Thayna Yaredy recomenda avaliar candidatas por interseccionalidade: raça, origem indígena, identidade de gênero e práticas políticas que comprovem compromisso.

51,5% — participação das mulheres na população total.

18% — percentual aproximado de cadeiras ocupadas por mulheres no Congresso Nacional.

8% — participação aproximada de mulheres negras no Congresso Nacional.

4 — número de mulheres indígenas deputadas federais; 0 — mulheres indígenas senatoras.

Critérios a observar nas candidatas: compromisso com direitos das mulheres; combate à violência de gênero; igualdade salarial; políticas de enfrentamento às desigualdades; propostas para economia do cuidado, primeira infância, saúde, proteção a grupos vulneráveis, alimentação e medidas sobre os impactos das apostas.

Avalie trajetórias e projetos políticos: busque propostas concretas e práticas contínuas de inclusão equitativa de mulheres em espaços de poder.