Vereador Edicarlos encerrou audiência e impediu fala de liderança indígena
Liderança Guarani Mbya Thiago Karai Djekupe falou menos de cinco minutos após mais de uma hora de negociação e intervenção da GCM

O presidente da Câmara de Jundiaí, vereador Edicarlos Vieira, encerrou uma audiência sobre a proteção da Serra do Japi em vez de autorizar cinco minutos de fala para a liderança indígena Thiago Karai Djekupe.
Thiago falou por menos de cinco minutos somente depois de mais de uma hora de negociação e da liberação da tribuna pelo inspetor Villas Boas, da Guarda Civil Municipal de Jundiaí.
O povo Guarani Mbya da Terra Indígena Jaraguá, convidado pelo Coletivo Japy, participou da audiência; o grupo já trabalha com o Coletivo Japy há meses em pautas socioambientais relacionadas à Serra do Japi.
Na chegada, os indígenas foram impedidos de entrar com instrumentos sagrados — maracás e mbaraka — por determinação do regimento interno da Câmara; mesmo assim entraram sem os instrumentos e se inscreveram para falar na tribuna.
Ao fim da audiência, a Mesa alegou que Thiago Guarani não teria se registrado; o regimento interno não estabelece prazo para inscrições, e o presidente teve autonomia para liberar o microfone, mas recusou liberar a palavra.
Após a liberação pelo inspetor Villas Boas, Thiago e o grupo entoaram dois cânticos sagrados e Thiago deixou sua mensagem em menos de cinco minutos; o episódio foi classificado por alguns como “invasão”.
A advogada e presidente do Coletivo Japy, Juliana Oliveira, questionou a capacidade de Edicarlos de presidir a Câmara e perguntou por que houve resistência em ouvir Thiago, sugerindo que a fala poderia contrariar interesses de ocupação na Serra do Japi.