ELEIÇÕES 2026Faltam 47 diasCandidatos →
InícioEleições
Eleições

USP de Ribeirão Preto resgata 30 anos do OSCE como modelo para avaliar médicos

Artigo de professores da FMRP defende combinar prova nacional com avaliações práticas para certificar competências clínicas

Redação POLITICA.SP18 de ago. de 2026 · 12h332 acessos📲 Enviar no WhatsApp
USP de Ribeirão Preto resgata 30 anos do OSCE como modelo para avaliar médicos
Reprodução: jornal.usp.br

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP publicaram artigo que resgata a implantação do OSCE na unidade em 1995 e propõe seu uso para avaliar competências clínicas.

A Medida Provisória nº 1.370/2026 transformou o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) em requisito para registro profissional, reacendendo o debate sobre avaliação de proficiência médica.

Os autores são Luiz Ernesto de Almeida Troncon, Marcos Carvalho Borges e Valdes Bollela; o artigo intitula-se "OSCE no Brasil: trajetória, fundamentos e perspectivas para a avaliação das competências clínicas" e saiu na Revista Brasileira de Educação Médica.

Eles explicam a diferença entre Enamed (instituído pelo MEC e aplicado pelo Inep) e o ProfiMed (proposto em projeto de lei pelo Conselho Federal de Medicina): Enamed avalia formação; ProfiMed foi pensado como exame de habilitação profissional com avaliação de conhecimentos e habilidades clínicas.

O OSCE (Objective Structured Clinical Examination) foi criado na década de 1970 na Escócia e implantado na FMRP em 1995; no modelo, estudantes passam por estações com tarefas cronometradas avaliadas por checklists e avaliadores treinados.

Bollela afirma que "é preciso mostrar, na prática, que sabe colher a história clínica, examinar o paciente, comunicar-se adequadamente, tomar decisões e agir com profissionalismo" — competências que prova escrita não avalia sozinha.

Os autores defendem um sistema de avaliação programática: a prova nacional de conhecimentos (Enamed) seria complementada por avaliações práticas das escolas médicas ou de consórcios regionais, com matriz nacional de competências, documentação padronizada e auditoria externa independente.

O texto destaca números para dimensionar o desafio: o Brasil tem cerca de 448 escolas médicas e deverá formar mais de 42 mil médicos por ano; em 2025 o Revalida teve cerca de 22 mil candidatos na prova teórica e cerca de 7 mil na etapa prática.

Ao analisar modelos internacionais, os pesquisadores citam o Reino Unido como exemplo de sistema híbrido — exame nacional de conhecimentos combinado com avaliações práticas das escolas, sob supervisão do órgão regulador — e afirmam que o maior beneficiado seria o paciente.