SasiSUS: o SUS especializado para 1,69 milhão de indígenas de 391 etnias
O Subsistema é a única estrutura do SUS voltada aos povos indígenas e funciona por DSEIs, UBSIs, Polos Base e CASAIs.

O SasiSUS é a única estrutura especializada do SUS para os povos indígenas no Brasil, atendendo 1.693.535 pessoas de 391 etnias.
Os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) descentralizam a coordenação do cuidado e podem abranger vários municípios e até unidades federativas.
A Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) coordena a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) e gere o SasiSUS, levando atenção básica às aldeias por equipes capacitadas.
As unidades que compõem o sistema são: Unidades Básicas de Saúde Indígenas (UBSI) dentro ou próximas às aldeias; Polos Base (PB) com estrutura para casos de maior complexidade; e Casas de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) nos municípios de referência.
Médicos dos DSEIs fazem atendimento itinerante, em carro, barco ou avião, muitos vinculados ao Programa Mais Médicos; o fluxo de atenção vai da UBSI ao Polo Base e, se necessário, a hospitais urbanos com apoio das CASAIs.
Pacientes em urgência usam helicóptero, avião, barco ou carro; casos agendados são levados à CASAI durante internação. Em hospitais urbanos, indígenas enfrentam falta de alimentação adequada, frio por ar condicionado, ausência de roupas e violência por parte de profissionais.
As doenças mais frequentes são infecciosas, respiratórias e parasitárias, configurando um perfil epidemiológico similar ao de países em extrema pobreza.
"O maior erro que um profissional de saúde pode cometer é achar que vai reproduzir o modelo da cidade dentro de uma aldeia", disse Carla Rodrigues, médica de família e comunidade do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, ao relatar necessidade de diálogo entre medicina clínica e ritos tradicionais.
Rodrigues afirma que o SasiSUS é "um patrimônio brasileiro fundamental para os povos tradicionais" e que precisa de aprimoramentos: melhorar a qualidade assistencial, inserir curadores tradicionais nas equipes, incorporar antropólogos por etnia, contar com tradutores indígenas, identificar grupos de recente contato e aprimorar a interconexão de dados.