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SasiSUS: o SUS especializado para 1,69 milhão de indígenas de 391 etnias

O Subsistema é a única estrutura do SUS voltada aos povos indígenas e funciona por DSEIs, UBSIs, Polos Base e CASAIs.

Redação POLITICA.SP9 de ago. de 2026 · 14h055 acessos📲 Enviar no WhatsApp
SasiSUS: o SUS especializado para 1,69 milhão de indígenas de 391 etnias
Reprodução: drauziovarella.uol.com.br

O SasiSUS é a única estrutura especializada do SUS para os povos indígenas no Brasil, atendendo 1.693.535 pessoas de 391 etnias.

Os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) descentralizam a coordenação do cuidado e podem abranger vários municípios e até unidades federativas.

A Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) coordena a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) e gere o SasiSUS, levando atenção básica às aldeias por equipes capacitadas.

As unidades que compõem o sistema são: Unidades Básicas de Saúde Indígenas (UBSI) dentro ou próximas às aldeias; Polos Base (PB) com estrutura para casos de maior complexidade; e Casas de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) nos municípios de referência.

Médicos dos DSEIs fazem atendimento itinerante, em carro, barco ou avião, muitos vinculados ao Programa Mais Médicos; o fluxo de atenção vai da UBSI ao Polo Base e, se necessário, a hospitais urbanos com apoio das CASAIs.

Pacientes em urgência usam helicóptero, avião, barco ou carro; casos agendados são levados à CASAI durante internação. Em hospitais urbanos, indígenas enfrentam falta de alimentação adequada, frio por ar condicionado, ausência de roupas e violência por parte de profissionais.

As doenças mais frequentes são infecciosas, respiratórias e parasitárias, configurando um perfil epidemiológico similar ao de países em extrema pobreza.

"O maior erro que um profissional de saúde pode cometer é achar que vai reproduzir o modelo da cidade dentro de uma aldeia", disse Carla Rodrigues, médica de família e comunidade do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, ao relatar necessidade de diálogo entre medicina clínica e ritos tradicionais.

Rodrigues afirma que o SasiSUS é "um patrimônio brasileiro fundamental para os povos tradicionais" e que precisa de aprimoramentos: melhorar a qualidade assistencial, inserir curadores tradicionais nas equipes, incorporar antropólogos por etnia, contar com tradutores indígenas, identificar grupos de recente contato e aprimorar a interconexão de dados.