R$ 5 bilhões em shows públicos ficaram fora dos controles da Lei Rouanet
Os 100 artistas mais contratados receberam mais que os R$ 3,41 bilhões captados pela Rouanet em 2025

R$ 5 bilhões em contratos de shows públicos ficaram fora dos controles rígidos da Lei Rouanet.
O total supera os R$ 3,41 bilhões captados por projetos via Lei Rouanet em 2025, segundo o levantamento.
Um levantamento analisou mais de 20 mil contratos firmados entre janeiro de 2024 e 31 de março de 2026; os 100 artistas mais contratados receberam juntos mais de R$ 5 bilhões, e os 40 do topo somaram cerca de R$ 3,08 bilhões.
A contratação concentrou-se no Nordeste: aproximadamente 72% do valor destinado aos 40 mais bem pagos veio de lá; Bahia registrou cerca de R$ 578 milhões, Pernambuco R$ 573 milhões e Ceará R$ 316 milhões.
Cinco produtoras reuniram aproximadamente R$ 2,42 bilhões em contratos; a Camarote Shows aparece com quase R$ 1 bilhão, e a Vybbe com cerca de R$ 522 milhões.
O cachê médio dos 40 artistas mais contratados subiu de aproximadamente R$ 338 mil em 2024 para R$ 569 mil no primeiro trimestre de 2026, alta de cerca de 64%; o cachê de Pablo do Arrocha teria triplicado e o de Natanzinho Lima multiplicado por cinco.
Mais de 2 mil municípios contrataram artistas desse grupo desde 2024; mais de mil dessas cidades haviam decretado situação de emergência ou estado de calamidade pública no período.
Em Estrela do Norte (GO) um show de cerca de R$ 704 mil equival eu a 2,9% das despesas municipais empenhadas em 2024; em Tamboril (CE) shows chegaram a cerca de R$ 2,77 milhões, ou 1,72% das despesas municipais.
Goiana (PE) gastou aproximadamente R$ 25,6 milhões em shows desde 2024, enquanto parcela da população carecia de rede de esgoto.
Os dez artistas com mais shows públicos também aparecem como divulgadores ou associados a casas de apostas; artistas patrocinados por bets movimentaram cerca de R$ 1,24 bilhão em contratos desde janeiro de 2024.
A cadeia inclui agronegócio: cerca de R$ 483,8 milhões em cachês ligados a exposições agropecuárias, rodeios e eventos semelhantes, sendo aproximadamente R$ 264 milhões só em exposições e feiras agropecuárias (cerca de 16% dos recursos direcionados aos 40 mais bem pagos).
A falta de transparência é apontada: aproximadamente 40% dos contratos analisados não estavam disponíveis no Portal Nacional de Contratações Públicas.
Investigações sobre os shows já ocorrem, e o relatório destaca a necessidade de uma força‑tarefa para apurar os critérios, beneficiários e compatibilidade dos gastos com as necessidades municipais.