Presidente do BC diz: taxa alta visa reequilibrar oferta e demanda
Gabriel Galípolo culpa crescimento puxado pelo consumo e defende aumentar produtividade como saída para o limite do modelo baseado em renda e crédito

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou que a política monetária restritiva busca reequilibrar oferta e demanda diante de crescimento puxado pelo consumo.
Ele disse que o mandato do BC exige colocar a taxa de juros em patamar restritivo porque a economia está em “pleno emprego” e a demanda cresceu acima da oferta.
Galípolo afirmou: “Estamos culminando um processo de vários anos de crescimento, puxado pelo consumo, impulsionado pelo crescimento da renda acima da produtividade e do crédito”.
O presidente do BC atribuiu a situação à baixa produtividade estrutural e conjuntural da economia brasileira e afirmou que o modelo baseado na expansão da renda e do crédito já “bateu no limite”.
No terceiro mandato de Lula, o governo replicou estímulos de demanda com transferências de renda, aumentos reais do salário mínimo e expansão do crédito para famílias e empresas.
Galípolo defendeu que agora a saída para crescer é expandir a produtividade, e criticou aplicar políticas keynesianas quando a economia já estaria superaquecida.
A inflação está em 4,44% em 12 meses, número que o texto questiona como expressão de pressão por demanda.
Dados macroeconômicos citados: crescimento de 2,3% em 2025; serviços +1,8% e indústria +1,4% em 2025; taxa de investimento de 16,8% do PIB; PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 e o acumulado em quatro trimestres desacelerou para 2,0%.
Dados do mercado de trabalho citados: taxa de desocupação de 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026; população desocupada de 5,9 milhões; população ocupada de 103,1 milhões; taxa composta de subutilização de 12,9%; rendimento médio de R$ 3.738 no trimestre encerrado em junho.
O texto ressalta que “pleno emprego” exige cautela, por conta de informalidade, subocupação, desalento e diferenças regionais, e que aumentar produtividade requer transformações estruturais demoradas.
O artigo aponta dificuldade específica: serviços respondem por 67,4% do PIB e 71,7% dos empregos (2023), com grande heterogeneidade entre serviços de alta e baixa produtividade.
Galípolo defendeu medidas para ampliar produtividade, mas não detalhou quais políticas adotar para esse objetivo.