Petrobras encontra petróleo na Margem Equatorial; Oiapoque já recebe migrantes
Anúncio de 17/08 acelerou ocupações, obras e aumento de aluguéis enquanto Petrobras planeja mais furos para avaliar viabilidade.

Petrobras anunciou em 17/08 a descoberta de petróleo na Margem Equatorial, e Oiapoque já registra chegada de novos moradores.
A estatal prevê três novos poços na mesma área e outros cinco em áreas adjacentes para avaliar economicamente o campo a 175 quilômetros da costa.
A cidade de Oiapoque (AP), com cerca de 30 mil habitantes, recebe migrantes atraídos pela perspectiva de royalties e empregos, diz a costureira Sheila Cals, que voltou da Guiana Francesa.
Oiapoque fica a quase 600 quilômetros de Macapá, com 100 quilômetros sem asfalto; bairros novos surgem perto do aeródromo, como Belo Monte, Areia Branca, Nova Conquista e Independência.
A Prefeitura, comandada por Delegado Inácio (PDT), não tem contagem oficial dos recém-chegados, mas a Secretaria de Educação registrou 807 pedidos de matrícula para 2026, aumento de 16% sobre a rede de cerca de 5 mil alunos.
Em 2025 foram emitidos cerca de 800 alvarás de construção e transferências; a Petrobras reformou o aeroporto para voos fretados da Azul e envio de funcionários por helicóptero às plataformas.
No bairro Belo Monte, a presidente da associação Zione de Paiva afirma que mais de 100 casas foram erguidas no último ano, totalizando até 450 moradias na ocupação.
O geógrafo Edenilson Moura, da Unifap, registra edificações de quatro e cinco pavimentos, sinal de mudança na organização urbana de Oiapoque.
A corretora Ivete Sarmento denuncia especulação imobiliária: aluguéis subiram de R$ 1.200 para R$ 1.900 em um mês; proprietários de estacionamento dobraram preços no último ano.
175 km — distância da descoberta até a costa
3 poços — previstos na mesma área pela Petrobras
5 poços — previstos em áreas adjacentes
807 matrículas — pedidos na rede municipal para 2026 (alta de 16%)
800 alvarás — emitidos em 2025
"Sempre foi meu sonho voltar ao Brasil. E agora ficamos na expectativa de acontecer aqui o que aconteceu na Guiana, no Suriname", disse Sheila Cals, já moradora de Oiapoque.
Próximo passo: a Petrobras fará novas perfurações e pesquisas para confirmar viabilidade econômica; a cidade elabora seu primeiro plano diretor para regularizar uso do solo.