Justiça anula nomeações de dois professores negros na UFPE
Rafaela Niels e Allison Ruan perderam cargos em decisões judiciais em julho; universidade afirma ter cumprido ordens do Judiciário.

Dois professores negros aprovados por cotas tiveram suas nomeações na Universidade Federal de Pernambuco anuladas por decisão judicial.
As sentenças que confirmaram as suspensões saíram em 22 de julho (Rafaela Niels) e em 28 de julho (Allison Ruan); a UFPE disse ter cumprido as determinações judiciais.
Rafaela Niels da Silva, doutora em Inovação Terapêutica e mestre em Saúde Coletiva pela UFPE, foi nomeada em janeiro de 2026 para vaga no Núcleo de Ciências da Vida, área de Saúde da Mulher, por reserva para pessoas negras, e começou a trabalhar em 19 de março; uma portaria de 25 de março suspendeu a nomeação, e a tutela de urgência já havia sido concedida em fevereiro.
Allison Ruan de Morais Silva foi aprovado pelo Edital 08/2025 para vaga no Departamento de Engenharia Química, área de Processos Biotecnológicos; ele ministrou aulas durante o primeiro semestre de 2026 antes da decisão de 28 de julho, e a universidade levou 18 dias para cumprir a ordem de anulação.
Rafaela descreveu que perdeu emprego anterior de 11 anos, deixou dois trabalhos para assumir a vaga e relatou: “Em menos de um mês, eu me vi com uma mão atrás, outra na frente, com dois filhos para criar, um adolescente e uma criança pequena, sem ter a quem pedir ajuda”.
Allison disse: “Eu estava trabalhando na universidade; ninguém me avisou. Fiquei sabendo junto com todo mundo, quando saiu a decisão no Diário Oficial. Fiquei desnorteado... Pela primeira vez na vida, estou desempregado”.
O edital 08/2025 ofereceu 52 vagas, com 13 destinadas a ações afirmativas — 30% para pessoas negras, indígenas e quilombolas e 5% para pessoas com deficiência; a legislação determina que o percentual de reserva seja calculado sobre o total de vagas do concurso.
Em nota, a UFPE reafirmou compromisso com ações afirmativas e afirmou que a anulação não foi decisão administrativa, mas cumprimento de determinação do Poder Judiciário; a universidade também informou que medidas processuais são avaliadas pela Procuradoria Federal junto à UFPE.