Especialistas pedem reforma do setor elétrico já na transição pós-eleitoral
Estudo lançado em 18.ago.2026 pelo Instituto Pensar Energia alerta risco de crise e recomenda início imediato das mudanças.

Um estudo do Instituto Pensar Energia defendendo reforma do setor elétrico foi lançado nesta 3ª feira, 18.ago.2026.
Os autores dizem que a janela ideal é o período de transição no fim do ano, quando governos têm alinhamento político para pautar mudanças antes de um colapso.
O documento, “Setor Elétrico – Uma proposta de modelo eficiente, flexível e sustentável”, foi assinado por especialistas e ex-diretores de agências reguladoras e propõe resgatar governança técnica e realinhar preços aos custos reais de operação.
Marcelo Guaranys, ex-secretário-executivo do Ministério da Economia e ex-presidente da Anac, afirmou que o momento inicial da transição concentra força política e boa vontade no Congresso que deve ser aproveitada.
Jerson Kelman, engenheiro e ex-diretor-geral da Aneel, alertou que as distorções atuais inevitavelmente levarão a uma ruptura e que o estudo oferece embasamento técnico para agir quando a crise ocorrer.
O economista e ex-diretor da Aneel Edvaldo Santana citou o crescimento desordenado da geração distribuída e disse que, em momentos de menor consumo, ela chega a representar quase 65% da demanda nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, reduzindo margem de manobra do ONS.
O texto critica intervenções políticas que obrigam acionamento de termelétricas inflexíveis e defende que novas cargas industriais, como data centers e produtoras de hidrogênio verde, assumam seus custos.
Os autores lembram que o Brasil tem uma matriz limpa que pode ser vantagem econômica, mas que uma reforma precisa de suporte técnico e tempo: historicamente, reformas assim levam de 2 a 4 anos para serem desenhadas e consolidadas.
“O momento inicial é o melhor momento. Então, é quando você tem força política, você tem um alinhamento. Você tem uma boa vontade inicial com o Congresso que tem que ser aproveitada”, disse Marcelo Guaranys.
A recomendação final é começar as discussões e repactuação da governança imediatamente após as eleições, durante a transição de fim de ano, para evitar risco de falhas no fornecimento e insustentabilidade das tarifas.