Desemprego cai a 5,6%, mas crédito segue caríssimo com Selic a 15% ao ano
Emprego subiu no trimestre até maio; financiamento e empréstimos seguem com taxas altas que travam consumo e investimento

A taxa de desemprego ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, ante 6,2% um ano antes.
Apesar do avanço do rendimento médio real do trabalhador, o custo do crédito permanece proibitivo, com a Selic em 15% ao ano.
Em abril, a taxa média das novas concessões de crédito era 33,8% ao ano; no crédito livre 49,5% ao ano; para pessoas físicas, 63% ao ano.
Taxas altas elevam o custo das prestações de carro, financiamentos empresariais, empréstimos e cartão de crédito, segundo a análise do colunista.
Pequenas empresas que precisam de R$ 100 mil para ampliar ou equipar a loja podem ver os juros como um “sócio” que não produz e consome caixa.
Trabalhadores com emprego pensam em trocar carro, reformar ou comprar casa, mas o crédito caro faz a economia hesitar em responder com consumo.
O Banco Central mantém juros elevados por preocupação com a inflação e com as expectativas de inflação; reduzir a Selic exige condições sustentáveis.
O governo, o Congresso, as contas públicas, a produtividade, a concorrência bancária e a confiança de credores e investidores precisam atuar para reduzir o risco e, assim, o preço do dinheiro.
“Sugiro anestesiar e intubar, carinhosamente, Brasília, só por 30 dias e, depois, medir a inflação”, escreveu o economista Roberto Caminha Filho.
Se o juro cair de forma sustentável, emprego e crédito podem rodar juntos: emprego gera renda, renda permite consumo, consumo estimula produção, produção puxa investimento e novos empregos.
O risco de manter juros altos tempo demais é desemprego em massa: o colunista alerta que uma política errada pode levar mais de 30.000 desempregados diretos e indiretos.