Morre o primeiro porco clonado do Brasil; será exposto em museu
Animal de quase quatro meses foi eutanasiado em julho por falta de verbas; ficará taxidermizado no Museu de Zoologia da USP

O primeiro porco clonado no Brasil foi eutanasiado no final de julho e será exibido no Museu de Zoologia da USP.
A eutanásia foi antecipada em dois meses devido à falta de verbas do projeto, segundo o pesquisador responsável, Ernesto Goulart, professor do Instituto de Biociências da USP.
O animal nasceu em abril de 2026 no Instituto de Zootecnia em Piracicaba (SP) e foi transferido posteriormente para as instalações da USP em São Paulo.
O porco tinha quase quatro meses, era considerado muito saudável e cumpriu todos os objetivos previstos no protocolo de pesquisa, afirmou Ernesto Goulart.
A técnica de clonagem em suínos foi desenvolvida pela equipe brasileira do zero, e a ocorrência de um segundo clone foi registrada — esse segundo porco morreu no dia seguinte ao nascimento.
O projeto começou entre o final de 2019 e o início de 2020, envolveu múltiplas instituições e chegou a ter cerca de 40 profissionais, muitos doutores.
O avanço do trabalho esbarrou no congelamento de fontes federais, afetando infraestrutura, pagamento de pessoal e alimentação dos animais, o que levou ao desligamento de parte da equipe.
R$ 6,15 milhões — valor já liberado de um total aprovado de R$ 11,6 milhões para o projeto
"Ele era um animal muito saudável", disse Ernesto Goulart, sobre o porco clonado.
A próxima etapa é produzir porcos geneticamente modificados que viabilizem xenotransplantes em humanos; a equipe aguarda o destravamento das verbas para seguir o cronograma.