Tarifa de energia no RS subiu 97% em dez anos; salário mínimo subiu 84,21%
kWh passou de R$0,47882 em 2016 para R$0,945 em 2026; consumidores relatam cortes e sacrifícios no orçamento.

Tarifa residencial no Rio Grande do Sul subiu 97% entre 2016 e 2026, enquanto o salário mínimo cresceu 84,21% no mesmo período.
A tarifa B1 era R$0,47882 por kWh em 2016 e chegou a R$0,945 por kWh em 2026; o salário mínimo saiu de R$880 para R$1.621 no período.
A CPFL comprou a AES Sul por R$1,7 bilhão em junho de 2016 e assumiu R$1,1 bilhão em dívidas; em novembro de 2016 a AES Sul passou a se chamar RGE Sul.
Em janeiro de 2017 a State Grid comprou 54,64% da CPFL por R$14,19 bilhões; a Aneel aprovou a unificação operacional das distribuidoras em 2018.
A antiga RGE teve sede em São Leopoldo e, em dezembro de 2025, a marca isolada “RGE” foi extinta; a distribuidora passou a se chamar CPFL RGE.
Os reajustes anuais são homologados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e incluem repasses de geração, transmissão e encargos setoriais, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
Moradores de Bento Gonçalves relatam cortes de consumo e escolhas entre comida e luz: a costureira Mariana Cervo, 44, diz que o salário some antes da metade do mês; o marceneiro Ricardo Meneghetti, 52, lembra da promessa de eficiência após a venda de 2016; a comerciante Aline Quadros, 31, afirma que a luz virou o maior custo fixo do seu comércio.
97% — alta da tarifa residencial entre 2016 e 2026
84,21% — alta do salário mínimo no mesmo período
R$0,47882/kWh — tarifa B1 em 2016
R$0,945/kWh — tarifa B1 em 2026
R$880 — salário mínimo em 2016
R$1.621 — salário mínimo em 2026
R$1,7 bilhão — pagamento da CPFL pela AES Sul em 2016
R$1,1 bilhão — dívidas assumidas pela CPFL na compra
54,64% / R$14,19 bilhões — fatia da State Grid comprada em 2017
"Eu saio de casa às seis da manhã para costurar e, quando chega a conta da RGE, dá vontade de chorar", disse a costureira Mariana Cervo, do bairro Juventude, em Bento Gonçalves.
O Procon afirma que vai fiscalizar as tarifas; ações civis públicas e promessas de Comissão Parlamentar de Inquérito tramitam nos gabinetes enquanto consumidores enfrentam cortes e escolhas orçamentárias.