Diagnóstico tardio eleva cetoacidose e mortes no diabetes tipo 1
520 mil pessoas vivem com DM1; 246 mil mortes prematuras e 25% delas sem diagnóstico em vida

Diagnóstico tardio de diabetes tipo 1 aumenta risco de cetoacidose e mortalidade no Brasil.
Há cerca de 520 mil pessoas com DM1 e 246 mil mortes prematuras registradas; 25% dessas mortes ocorreram em indivíduos sem diagnóstico em vida.
O Fórum Intersetorial de CCNTs e a ADJ Diabetes Brasil, com sociedades médicas e pesquisadores, divulgaram dados do T1D Index e do estudo epidemiológico BrazDiab1SG sobre DM1 no país.
O BrazDiab1SG mostrou risco de morte três vezes maior para pessoas com DM1; principais causas de óbito foram doença renal crônica, cetoacidose associada ao diabetes (CAD) e complicações cardiovasculares.
Menos de 30% das pessoas com DM1 acompanhadas no SUS mantêm HbA1c abaixo de 7%; a média nacional de HbA1c está entre 9,0% e 9,3%.
Entre 2012 e 2023 houve mais de 282 mil amputações de membros inferiores associadas ao diabetes.
O Tempo no Alvo (TIR), medido por sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM), surge como preditor de complicações porque a HbA1c não capta oscilações diárias da glicemia.
Revisões sistemáticas indicam que cada redução de 10% no TIR eleva a mortalidade por todas as causas em 8% e a mortalidade cardiovascular em 5%, e episódios de hipoglicemia grave duplicam o risco de internações por complicações cardiovasculares.
520.000 — pessoas com DM1 no Brasil
246.000 — mortes prematuras registradas
25% — dessas mortes sem diagnóstico em vida
<30% — pessoas com DM1 no SUS com HbA1c <7%
9,0%–9,3% — média nacional de HbA1c
282.000+ — amputações 2012–2023
O Dr. Mark Barone, coordenador geral do FórumCCNTs, afirmou que “a consolidação de políticas públicas eficazes exige olhar o indivíduo de forma holística, integrando diagnóstico precoce, medicação adequada, alimentação saudável, atividade física regular, sono de qualidade, vacinação e o monitoramento contínuo da glicose”, e completou: “é inaceitável crianças diagnosticadas com diabetes tipo 1 no Brasil aos 10 anos de idade enfrentarem redução de 25 anos na expectativa de vida”.
A ampliação do uso de CGM no SUS depende de descentralização do conhecimento, educação em saúde e capacitação; o endocrinologista Dr. Ronaldo Pineda Wieselberg, presidente da ADJ Diabetes Brasil, disse que estudos econômicos nacionais comprovam a custo‑efetividade do CGM e a necessidade de investimento, capacitação profissional e políticas de financiamento para implementação ampla.
A SBD recomenda triagem de indivíduos de primeiro grau por anticorpos específicos, prática já adotada em países como a Itália, mas sua adoção no Brasil exige investimentos em infraestrutura e programas educativos estruturados.