Desenrola 2.0 atrai quase 10 milhões e renegocia R$44,1 bilhões
Lançado em maio, o programa registrava adesão até o final de julho; pesquisadores e dados mostram limites na solução do endividamento

A segunda edição do Desenrola, lançada em maio, somava quase 10 milhões de adesões até o final de julho.
O programa permitiu renegociar R$ 44,1 bilhões em dívidas de famílias e empresas até julho, cifra que mostra alcance imediato do mecanismo.
Pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), Flávio Ataliba Barreto e João Mário Santos de França, afirmam que “um recorde de adesão não é, por si só, evidência de que o problema estrutural do endividamento foi resolvido”.
O desenho do programa oferece descontos de até 90%, tornando atrativa a renegociação de débitos que antes teriam cortes bem menores.
Mesmo após renegociação, a renda disponível para consumo permanece entre os mais baixos da série histórica apurada pela consultoria Tendências, o que limita a recuperação financeira das famílias.
Em julho, o percentual de famílias com dívidas a vencer voltou a subir e alcançou 82%, enquanto entre quem recebe até três salários mínimos (R$ 4.863) a taxa de endividados subiu para 84,9%.
A parcela de contas em atraso entre os que ganham até três salários mínimos subiu para 38,5% em julho, ante 38,3% em junho.
Especialistas alertam que, com Selic de dois dígitos, famílias que renegociam dívidas podem voltar a recorrer a crédito pessoal e rotativo do cartão, mantendo vulnerabilidade financeira.