A elite do cofre: PT cria 'Série A e Série B' para fatiar Fundo Eleitoral
Fortunati cai para a “terceirona” e recebe R$ 250 mil, enquanto deputados petistas terão até R$ 3 milhões

O discurso de igualdade do Partido dos Trabalhadores parece congelar assim que o dinheiro do Fundo Eleitoral entra na conta. Candidatos à Câmara dos Deputados pelo PT que não possuem mandato estão em pé de guerra após a direção partidária estabelecer uma velada divisão de classes com primeira, segunda e até terceira divisão para fatiar o bolo dos recursos públicos.
A regra do jogo é clara: quem já tem mandato ganha o filé; quem tenta entrar fica com os restos. Enquanto os cinco atuais deputados federais da legenda abocanham valores astronômicos entre R$ 1,8 milhão e R$ 3 milhões a depender de quem tem mais prestígio com a cúpula, postulantes sem mandato amargam o orçamento de trocados.
Conforme o colunista Flávio Pereira, o caso mais emblemático dessa hierarquia do cofre é o do ex-prefeito de Porto Alegre e ex-deputado federal José Fortunati. Nome histórico da esquerda, Fortunati acabou empurrado para o "terceiro escalão" das finanças petistas, recebendo modestos R$ 250 mil para tocar sua campanha a deputado federal.
A disparidade é tão gritante que o ex-prefeito chegou a ensaiar a desistência da candidatura. Para conter a crise e evitar um vexame público, a direção nacional do PT acenou com a promessa de reavaliar o caso. Resta saber se o partido da "justiça social" abrirá a mão ou se continuará tratando seus próprios correligionários como cidadãos de segunda categoria.