Lula entrega plano de governo que promete eficiência nos gastos sem cortar investimentos
Documento protocolado no TSE defende soberania (31 menções), mantém arcabouço fiscal e prioriza crescimento por investimento.

Plano de governo de Lula está pronto e foi protocolado no TSE, prometendo melhorar eficiência e qualidade do gasto público sem abrir mão do crescimento por investimento.
No orçamento de 2026, as emendas somaram R$50 bilhões, cerca de um quinto dos recursos discricionários do Executivo, e o plano propõe enfrentar a distorção do atual sistema de emendas parlamentares.
O texto cita “soberania” 31 vezes e evita propostas polêmicas: não propõe “tarifa zero” no transporte, reversão de privatizações da Petrobras nem controle de capitais; admite tributar renda de super-ricos, offshores e fundos exclusivos.
O presidente defende manter o novo arcabouço fiscal, atribui à taxa de juros — e não ao resultado do governo desde 2024 — a maior parte da pressão sobre o endividamento público, e diz que resultado fiscal positivo virá da retomada do crescimento e do controle do gasto primário.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, repetiu no programa Passando a Limpo (27 de julho) que o desafio é a gestão da dívida diante dos juros e que a política fiscal é a variável sob controle do governo.
O plano lista metas: recuperar o crescimento, reduzir desigualdades, ampliar sustentabilidade ambiental, recompor protagonismo internacional e repensar elaboração do orçamento federal (PPA 2024-2027) para controlar gastos excessivos como apostas on-line.
O texto registra pouca ênfase em “gastos” (a palavra aparece três vezes) e não apresenta medidas claras para reduzir juros ou detalhar como diminuir o endividamento público.
31 — vezes que “soberania” aparece no plano
R$50 bilhões — total de emendas no orçamento de 2026, cerca de 20% dos recursos discricionários
“Desde 2024, o resultado do governo não é responsável pelo aumento do endividamento público, e sim a taxa de juros”, afirmou o ministro Dario Durigan em rádio.
A partir desta semana, analistas vão cobrar sinais concretos de ajuste fiscal ou medidas para reduzir juros e endividamento.