João separa Eduardo do PSB e Lula do PT na narrativa de campanha
Na sabatina ao Sistema Jornal do Commercio, João Campos disse preferir 'olhar adiante' sobre Paulo Câmara e tratou Lula como amigo pessoal.

João Campos (PSB) dividiu a narrativa: herdar o legado de Eduardo Campos e distanciar-se do restante do PSB e do PT.
Essa estratégia permite a João reivindicar os feitos de Eduardo sem responder pelos oito anos de Paulo Câmara, que deixou o PSB derrotado e fora do segundo turno em 2022.
Na sabatina ao Sistema Jornal do Commercio, João afirmou que prefere "olhar adiante" quando questionado sobre os 16 anos de governos do PSB e sua participação como chefe de gabinete de Paulo Câmara.
Ao elogiar obras como hospitais, UPAs e escolas técnicas, João atribuiu o mérito a Eduardo Campos, citando o pai como autor político do legado do PSB.
João disse ter com Lula uma relação "próxima" e "de confiança", chamou o presidente de "amigo" e prometeu uma "dobradinha de João e Lula, Lula e João" — sem mencionar o PT na frase.
Ele também citou comparações institucionais com Raquel Lyra e usou a relação pessoal para justificar críticas passadas ao PT, como as feitas em 2020 contra Marília Arraes.
João é filho do principal líder recente do PSB, presidiu nacionalmente a legenda e ocupou o cargo de chefe de gabinete no governo Paulo Câmara, o que limita sua separação do partido.
A estratégia, porém, pode gerar questionamentos: a militância petista deve cobrar explicações sobre os ataques de 2020 e sobre a dissociação entre Lula e o PT.
16 anos — duração dos governos do PSB citados por João
8 anos — tempo do governo de Paulo Câmara
2022 — ano em que o PSB ficou fora do segundo turno, segundo a narrativa usada por João
"Sempre fui amigo de Lula", disse João ao explicar a relação pessoal com o presidente.
A próxima etapa é a campanha formal, quando adversários e a militância petista devem explorar a separação entre legado pessoal e responsabilidade partidária.