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Câmara de Goiânia aprova, por unanimidade, Museu e Memorial do Césio-137

Projeto de Lucas Kitão (Mobiliza) cria espaço cultural e científico; proposta segue para sanção do prefeito Sandro Mabel

Redação POLITICA.GO17 de ago. de 2026 · 12h323 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Câmara de Goiânia aprova, por unanimidade, Museu e Memorial do Césio-137
Reprodução: ohoje.com

Câmara de Goiânia aprovou por unanimidade o projeto que cria o Museu e Memorial do Césio-137, proposto pelo vereador Lucas Kitão (Mobiliza).

A proposta segue agora para sanção do prefeito Sandro Mabel.

O projeto prevê um espaço cultural, educativo e científico para preservar a memória do acidente de 1987 e reunir exposições permanentes e temporárias sobre impactos sociais, históricos e sanitários.

Kitão disse que usou como referência o Museu e Memorial do World Trade Center, em Nova York, e que a intenção é integrar o museu à malha urbana para excursões escolares e pesquisas universitárias.

O endereço do futuro museu ficará a critério do Poder Executivo; entre os locais considerados está a área de um antigo ferro-velho no Setor Aeroporto, onde a cápsula com césio-137 foi aberta.

A aprovação ocorre 38 anos após o acidente radiológico de 13 de setembro de 1987 e um dia depois de um incêndio florestal atingir o Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás, próximo ao depósito dos rejeitos.

Os rejeitos radioativos estão armazenados em contêineres concretados sob dois montes simétricos no Depósito Definitivo de Abadia de Goiás, com monitoramento trimestral do CRCN-CO da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

O debate sobre preservação ganhou novo destaque após a morte de Lucimar das Neves Ferreira, 52 anos, encontrada em Aparecida de Goiânia e sepultada em Abadia de Goiás em 25 de julho de 2026; Lucimar tinha 14 anos em 1987.

Associações de vítimas relatam dificuldades no acesso a medicamentos gratuitos e suporte psiquiátrico, apesar do Governo de Goiás ter anunciado reajuste de quase 70% nas pensões de mais de 600 beneficiários.

A história do acidente inclui a retirada, em 13 de setembro de 1987, de 19,2 gramas de cloreto de césio por catadores no antigo Instituto Goiano de Radioterapia; parte do material foi distribuída e manipulada por crianças.

Mais de 112 mil pessoas passaram por triagem no Estádio Olímpico; o acidente gerou 6 mil toneladas de rejeitos radioativos e quatro mortes imediatas: Leide das Neves, Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza.

19,2 gramas — quantidade de cloreto de césio exposta em 1987

112.000 — pessoas triadas após identificação da contaminação

6.000 toneladas — volume de rejeitos radioativos gerados

4 — mortes imediatas confirmadas em 1987

600+ — beneficiários das pensões com reajuste de quase 70%

"O museu será não apenas um espaço de homenagem, mas também de reflexão e educação, contribuindo para que as futuras gerações conheçam os fatos, combatam o preconceito e valorizem a ciência", afirmou Lucas Kitão.

O próximo passo é a sanção do prefeito Sandro Mabel para a criação formal do Museu e Memorial do Césio-137.

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