Registro de candidaturas cai 30%, menor desde 1994: 20.524 inscritos
Queda de ~8.700 candidaturas tem efeito de federações, fusões de partidos e crise no PRTB de Pablo Marçal

Total de candidaturas em 2026 caiu para 20.524 — recuo de cerca de 8.700 (-30%) em relação a 2022, a maior queda desde 1994.
O prazo de registro terminou no sábado (15) e os dados foram atualizados até segunda (17) às 16h30; o TSE prevê apenas pequenas alterações por desistências, falecimentos, decisões judiciais ou substituições.
Cargos legislativos puxaram a queda: candidatos a deputado federal caíram de 10.630 para 7.632; a deputado estadual (incluindo distrital) caíram de 17.347 para 11.521; concorrência por vaga passou de 21 para 15 (federal) e de 16 para 11 (estadual).
Mudanças eleitorais aprovadas em 2015 e 2017 restringiram acesso a recursos do fundo partidário e dificultaram criação de novos partidos; regras começaram a valer em 2018 e serão endurecidas a cada pleito até 2030.
Federações e fusões reduziram candidaturas: União e PP, juntos, lançaram cerca de 1.300 candidatos a menos; PTB e Patriota se fundiram no PRD; Pros foi incorporado pelo Solidariedade; PSC foi absorvido pelo Podemos; o único novo partido é o Missão.
Há duas novas federações (União/PP e PRD/Solidariedade) além das três que já disputaram em 2022 (PSOL/Rede, PSDB/Cidadania e PT/PC do B/PV); federação conta como um partido no total de candidaturas.
O PRTB teve a maior queda absoluta e percentual: 929 candidatos a menos (queda de 99%), registrando apenas 10 candidaturas em 2026; o partido enfrentou litígio judicial sobre o comando e dificuldades para registrar filiados até 4 de abril.
O partido Novo foi o único com aumento relevante: +817 candidatos (+171%); o nanico UP cresceu 177% (mais 120 candidatos); Agir e Democrata reduziram em mais da metade suas chapas.
Todos os estados registraram queda; Alagoas teve a maior retração percentual, -44,5% (224 candidatos a menos); Amapá, Paraíba e Rio Grande do Norte recuaram acima de 40%.
"Candidaturas ligadas ao crime com certeza devem estar sendo coibidas", afirmou o cientista político José Niemeyer, avaliando efeito positivo das regras; ele também disse que menos partidos com representação facilita o presidencialismo de coalizão.
O presidente nacional do Agir, Daniel Tourinho, afirmou que a redução decorre do desestímulo a estreantes: "Como é que um jovem vai querer entrar na política para disputar com um deputado que não paga avião... e recebe R$ 40 milhões em emendas?"