Recuperação judicial em alta pressiona crédito rural e encarece o financiamento
Inadimplência e pedidos de recuperação crescentes levam bancos a endurecer empréstimos e aumentam o spread bancário

Recuperações judiciais em excesso estão reduzindo o acesso ao crédito rural e elevando o custo do dinheiro para produtores.
Bancos públicos e privados têm criado condições mais rigorosas para liberar recursos, afetando financiamento de tradings, fornecedores de insumos e instituições financeiras.
A Serasa Experian registrou inadimplência de 8,3% da produção rural no terceiro trimestre de 2025.
Pedidos de recuperação judicial cresceram 31,7% em 2025 em comparação ao ano anterior, segundo levantamentos de mercado citados pela Secretaria de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura.
Analistas apontam que produtores usam recuperação judicial como “modelo de negócio”, há falta de governança (muitos atuam em pessoa física) e pressões de custos por dólar valorizado e queda nos preços da soja.
A StoneX afirma que os custos de produção da safra 2025/2026 se aproximam das dificuldades de 2022, ano de crises logísticas e da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Tribunais superiores, incluindo decisões do Superior Tribunal de Justiça, têm concedido recuperações a produtores que, alegadamente, não atendem requisitos legais, ampliando insegurança jurídica para credores.
O Conselho Nacional de Justiça aprovou o provimento 216/2026 para disciplinar recuperações judiciais de produtores rurais em todo o país.
8,3% — inadimplência do agro no 3º trimestre de 2025
31,7% — alta nos pedidos de recuperação judicial em 2025 vs 2024
216/2026 — provimento aprovado pelo CNJ para regular recuperações rurais
É crucial que o Judiciário aplique as regras da recuperação judicial de forma rígida para proteger credores e reduzir risco de concentração do setor em grandes grupos empresariais.