MPF abre inquérito contra a Vale por colaboração com a ditadura
Procuração em Minas investiga monitoramento de trabalhadores e remoção forçada do povo Krenak; prazo inicial é de um ano.

O Ministério Público Federal instaurou inquérito civil para apurar a responsabilidade da Companhia Vale do Rio Doce em violações de direitos humanos durante a ditadura (1964-1985).
A investigação, conduzida pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto em Minas Gerais, Angelo Giardini de Oliveira, mira colaboração da Vale com o aparelho de repressão e remoções forçadas de povos indígenas.
O inquérito parte de relatórios da Comissão Nacional da Verdade e representações de movimentos sindicais que apontam participação da Vale na “Comunidade de Informações Industriais de Minas Gerais” (CIG-MG) e no repasse sistemático de dados de inteligência aos órgãos do regime.
As evidências citam monitoramento constante de operários e líderes sindicais nas fábricas e minas, e o uso de vagões da Estrada de Ferro Vitória a Minas para transporte coercitivo do povo Krenak.
Documentos mencionam que o povo Krenak foi levado para o Reformatório Agrícola Indígena Krenak e para a Fazenda Guarani, locais associados a confinamento e maus-tratos.
O MPF fundamenta a investigação na Justiça de Transição, que inclui busca pela memória e verdade, reparação das vítimas, punição de responsáveis e garantia de não repetição; o órgão afirma que "crimes contra os direitos humanos e pedidos de reparação civil decorrentes de períodos de exceção são imprescritíveis".
1964-1985 — período da ditadura militar citada no inquérito
1 ano — prazo inicial do inquérito civil para conclusão