Movimento Laico denuncia Universal ao MP Eleitoral por campanha em templos
Representação à Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo acusa a Igreja Universal de usar o “Desafio de Neemias” para eleger bispos e pastores até 4 de outubro.

A Associação Movimento Brasil Laico apresentou representação à Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo contra a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada por Edir Macedo, por suposto uso da igreja em campanha eleitoral.
A peça pede apuração de abuso de poder econômico, abuso de poder político e religioso, arrecadação por fonte vedada, propaganda eleitoral em templos, coação ao voto, ofensa ao Estado laico e tratamento irregular de dados pessoais sensíveis para fins eleitorais.
A ação cita o “Desafio de Neemias”, lançado pela Universal para mobilizar fiéis e voluntários em apoio a bispos e pastores candidatos a deputado estadual e federal, com mobilização prevista até o primeiro turno da eleição, 4 de outubro.
A representação afirma que a campanha foi calibrada para durar 52 dias, encerrando-se no dia do primeiro turno, e traz relatos de ex-pastores como evidência de atuação política institucionalizada.
O texto aponta coleta de dados biométricos e de preferência política — identificação facial associada à filiação religiosa — como tratamento de dados sensíveis em potencial desvio de finalidade, citando obrigações da LGPD (art. 5º, II; art. 11) e recomendando comunicação à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Leandro Patrício da Silva, diretor-presidente da Associação Movimento Brasil Laico, disse que a igreja virou “uma máquina de engajamento eleitoral” e que o mapeamento de eleitores põe em risco a liberdade do voto e a laicidade do Estado.
A representação também destaca declarações internas de teor eleitoral, citando o bispo Renato Cardoso — “incompatível ser cristão e votar em partidos de esquerda” — e cards enviados a fiéis em Goiás que relacionam a metáfora religiosa à eleição de pastores candidatos.
52 dias — duração alegada da campanha
4 de outubro — data do primeiro turno e fim da mobilização alegada
O próximo passo na representação é a investigação pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo e a possível comunicação à ANPD para apurar o tratamento de dados e impacto eleitoral.