Rendimento médio sobe a R$ 3.376 em 2025; desigualdade homem‑mulher persiste
Alta anual de 5,3% não uniformiza ganhos: homens cresceram mais que mulheres em média e em várias regiões

O rendimento médio mensal dos brasileiros foi a R$ 3.376 em 2025, alta de 5,3% sobre 2024 (R$ 3.205).
Os rendimentos aumentaram para homens e mulheres, mas em ritmos diferentes: homens subiram 5,8% e mulheres 4,8%, com variações regionais importantes.
Na Região Norte, o rendimento masculino cresceu 6% ante 4,5% para mulheres; no Sudeste, homens subiram 6,4% e mulheres 3,5%; apenas Sul e Centro‑Oeste registraram maior alta entre mulheres que entre homens.
Análise por raça mostra disparidades maiores: mulheres negras receberam em média R$ 2.184 em 2025, mulheres não negras R$ 3.628 e homens não negros R$ 5.172.
Taxas de crescimento por grupo em 2025: mulheres negras +3,7%; homens negros +4,1%; mulheres não negras +4,8%; homens não negros +6,9%.
As mulheres negras tiveram a maior taxa de desemprego entre os grupos analisados, 8,5% em 2025, e 31% das mulheres fora da força de trabalho que gostariam de trabalhar citaram responsabilidades domésticas e de cuidado como razão para não procurar emprego.
O levantamento é a quarta edição do Observatório Brasileiro das Desigualdades e traz dados sobre saúde, mercado de trabalho, alimentação e bem‑estar.
Huri Paz, mestre em Sociologia pela USP e coordenador institucional do Afro‑Cebrap, defende políticas públicas focadas na população negra e grupos vulneráveis: mudanças tributárias, política de cuidados com redistribuição de recursos, ações afirmativas para acesso e ascensão profissional, investimentos tecnológicos no Norte e Nordeste e um plano orçado para a juventude negra.