Vale lança agenda para “destravar” mineração e entrega proposta a candidatos
Documento de 15 iniciativas, apresentado em Brasília, propõe mudanças em licenciamento, órgãos e mapeamento geológico.

Vale lançou nesta terça (18.ago.2026) uma agenda regulatória para “destravar” a mineração no Brasil.
O documento será enviado aos candidatos à Presidência e reúne 15 propostas sobre licenciamento, ambiente de negócios, cadeia produtiva e valor compartilhado.
O estudo foi elaborado com a consultoria Accenture e divulgado em cerimônia em Brasília com a presença do presidente da Vale, Gustavo Pimenta; o arquivo completo tem 2 MB.
Na área de licenciamento, a agenda propõe padronizar processos ambientais, fortalecer Ibama, Iphan, ICMBio e Funai para acelerar concessão de licenças e padronizar a análise de títulos minerários.
A Vale pede ampliar o mapeamento geológico via parcerias entre o SGB e empresas privadas, incentivos à transformação mineral, melhores condições de fornecimento de energia e um plano diretor de infraestrutura para o setor.
Outras propostas incluem fortalecimento da ANM, implementação de uma política nacional de minerais críticos, atualização das normas sobre cavernas, avaliação dos impactos da reforma tributária e um programa de qualificação para uso da CFEM.
A Vale diz que o Brasil está estagnado: a produção brasileira avançou menos que a de concorrentes entre 2014 e 2023, caindo do 4º para o 7º lugar no valor da produção mineral, enquanto o valor subiu de R$ 273 bilhões para R$ 296 bilhões (alta de 8,6%).
O relatório afirma que a demanda global por minerais deverá crescer fortemente de 2024 a 2035: +493% para lítio, +245% para grafita, +89% para terras-raras, +44% para cobre e +36% para minério de ferro de alta qualidade.
O texto destaca o potencial do Brasil: 66% das reservas mundiais de nióbio; 2ª maior reserva de terras-raras e de grafita; 3ª maior reserva de ferro, manganês, estanho e níquel; e apenas 28% do território devidamente mapeado.
Em valores de 2023, o Brasil somou R$ 296 bilhões na produção mineral, atrás de Rússia (R$ 364 bilhões), Indonésia (R$ 306 bilhões) e Índia (R$ 302 bilhões).