Troyjo: Brasil tem a pior trajetória da dívida entre os 10 maiores emergentes
Análise do economista Marcos Troyjo, com base em dados do FMI, aponta alta significativa da dívida/PIB e custo de financiamento elevado.

O Brasil é a única entre as 10 maiores economias emergentes com “alta significativa” da relação dívida/PIB, diz o economista Marcos Troyjo.
A DBGG atingiu 81,9% do PIB em junho de 2026, depois de recuar para perto de 70% no fim de 2022, e a trajetória deve continuar em alta nos próximos anos.
Marcos Troyjo, ex‑presidente do Banco dos Brics, fez a análise com base em dados do FMI e classificou três fatores que explicam o quadro: tamanho da dívida em relação ao PIB, custo de financiamento e peso dos juros nas contas públicas.
A dívida bruta voltou a crescer a partir de 2023; em 2020 havia chegado a 86,9% do PIB durante a pandemia, caiu até o fim de 2022 e subiu novamente em 2023.
Troyjo compara o Brasil com a China: embora a China tenha dívida/PIB maior, o custo de financiamento chinês é muito inferior ao brasileiro, o que torna a dívida chinesa mais administrável.
Ele afirma que “poucas economias combinam simultaneamente dívida elevada, juros reais muito altos e uma das maiores despesas com juros como proporção do PIB”.
Sem sinalização política de compromisso com controle de despesas e reforma do Estado, Troyjo alerta que investidores podem exigir correções mais rápidas e cobrar prêmio maior para financiar a dívida, elevando juros e pressionando a atividade econômica.