Tarifa de 25% dos EUA empurra agro “para o colo da China”, diz SRB
Sérgio Bortolozzo afirma que Plano Safra não atende mais produtores e pede seguro agrícola e novas fontes de crédito

A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos empurra o agronegócio brasileiro para ainda mais dependência da China, diz Sérgio Bortolozzo, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).
A China já responde por mais de 30% das exportações do agronegócio brasileiro, o que, na visão de Bortolozzo, aumenta o risco de concentração de mercado.
Sérgio Bortolozzo classificou como “tempestade perfeita” a combinação de custos de produção elevados, preços baixos das commodities, problemas climáticos e produtores cada vez mais endividados.
“O Plano Safra perdeu a sua razão de existir”, afirmou Bortolozzo, ao pedir a elaboração de um plano de seguro agrícola viável e mecanismos que permitam a produtores endividados voltar a obter crédito.
Bortolozzo disse que taxas de juros, volume disponível e análises de risco dos bancos dificultam o acesso ao Safra, e defendeu busca por fontes alternativas de financiamento, inclusive fintechs.
A SRB participou, em julho, de reuniões em Washington promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com representação do vice-presidente Marcelo Diniz Junqueira; Bortolozzo lamentou a ausência de representantes do governo brasileiro nessas discussões.
Alguns produtos ficaram fora da tarifa: café, suco de laranja, carne bovina e carne de aves — fato que, para Bortolozzo, reforça o caráter protecionista da medida norte-americana.
A entrevista completa com Sérgio Bortolozzo está na Edição 334 da Revista Oeste; a publicação reúne as propostas citadas e o detalhamento das reuniões em Washington.