Setor pede brecha de 90 dias na fluoretação por falta de insumo
Estoque de ácido fluossilícico zerou; importação possível do Marrocos pode levar cerca de três meses

Setores de saneamento pediram uma brecha temporária de 90 dias na obrigatoriedade da fluoretação da água.
O pedido ocorre porque os estoques domésticos de ácido fluossilícico estão zerados, e a importação do insumo pode levar cerca de três meses.
A Abcon (Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas) e outras entidades se reuniram com o Ministério da Saúde em 23 de julho para reivindicar a suspensão temporária da obrigação; fornecedores suspenderam exportações por causa da guerra no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz.
O Brasil não produz enxofre nem ácido sulfúrico, insumos usados na cadeia que gera o ácido fluossilícico; empresas apontam que o salto do preço do petróleo levou fornecedores a guardar reservas e interromper vendas, e há intenção de importar do Marrocos.
A adição de flúor é obrigatória desde 1974 e regulamentada em 1975; a concentração ideal no Brasil varia entre 0,60 e 0,80 miligramas por litro.
Em 1980 o índice nacional de CPO-D aos 12 anos era 7,3; no levantamento de 2023 do Ministério da Saúde o indicador caiu para 1,7; a OMS recomenda a fluoretação como medida eficaz para reduzir cáries.
90 dias — prazo da brecha requerida pelas entidades
3 meses — prazo estimado para estruturar importação do insumo
0,60–0,80 mg/L — faixa ideal de fluoreto na água
7,3 (1980) → 1,7 (2023) — CPO-D médio aos 12 anos
"Quando ajustamos o fluoreto na água de abastecimento, todas as pessoas são alcançadas, independentemente da condição social", disse Lorrayne Belotti, doutora em saúde pública pela USP, em entrevista de 2025.
O Ministério da Saúde monitora estoques e estuda a importação emergencial do ácido fluossilícico enquanto avalia demandas das entidades do setor.